Política

Nova compra de carne gera polêmicas

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 4 min

O vereador Milton Dota Jr. (PTB), em discurso feito ontem da tribuna livre da Câmara Municipal, disse achar estranho que a Prefeitura de Bauru poderá adquirir uma tonelada de carne de patinho em bife ao preço de R$ 4,85 o quilo, valor inferior ao que foi pago à Bom Bife em julho do ano passado, comercializado a R$ 7,30.

O aviso de classificação da empresa vencedora do processo de licitação - Indústria de Alimentos Vale do Mucuri Ltda. - foi publicado, junto com a proposta de preço, na edição do último sábado do Diário Oficial do Município (DOM). O contrato ainda não foi assinado entre as partes.

“Nem durante a guerra do Iraque foi possível detectar tantas disparidades de preços entre produtos. O que está acontecendo? Quem está errado? A atual empresa vencedora? Alguma coisa existe. Há uma diferença de 60% entre o preço de vencimento agora para o preço do ano passado”, afirma o petebista. Ele garante que o valor da arroba do boi não variou 60% no período.

“Para mim, essa questão do valor completa a chamada prova material da denúncia: superfuramento, parecer encomendado para poder reajustar os preços visando a atender interesses próprios da prefeitura”, avalia.

Dota Jr. diz que o DOM também trouxe a publicação de outro termo aditivo de contrato para compra de gêneros alimentícios, datado de 2001, que pede a prorrogação por mais 12 meses. “Quantos contratos existem? Essa é uma questão que precisa ser respondida.”

“A casa caiu”

O vereador Toninho Garmes (PSDB) também usou a tribuna na sessão legislativa de ontem para comentar o assunto. Para ele, não pode passar despercebido o fato de que a cotação para o item que licita a compra de 12 toneladas de filé de frango.

“É muito sintomático. É muita coincidência. Aliás, algumas coincidências estão acontecendo nesse governo que nos deixam estarrecidos. Realmente, a casa caiu. Nós vamos a fundo. A coisa não vai parar.”

Sem citar mais detalhes, o tucano insinua que também há problemas na aquisição pela administração de outros gêneros alimentícios da merenda escolar. “Tem problema na bolacha, na abobrinha. Eu quero dizer que não sei se na merenda tem pepino. Mas se tiver pepino, com certeza também terá problema”, ironiza.

A posição do Conselho Municipal de Alimentação Escolar sobre as denúncias da CEI da Carne também foi alvo de comentários na sessão legislativa de ontem. Membros do conselho se sentiram “traídos” pela administração diante dos fatos denunciados.

“Será que isso aqui é perseguição ao prefeito Nilson Costa? Será que o prefeito está sendo perseguido porque o conselho se sente traído?”, questiona o vereador João Parreira (PSDB), presidente da Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Carne.

Para ele, os membros do conselho devem participar das reuniões e “achar que está tudo certo”. “As notas estão aqui, está tudo assinado. Sempre está tudo certo.”

O tucano avalia que as declarações dos membros do conselho se constituem em provas. “O ex-presidente acha que faltou experiência. Ele diz: Acho que fui ingênuo porque sou da comunidade e quando perguntava à secretrária e responsáveis pela merenda, eles falavam que estava tudo bem. Deu uma crise amnésia em todo mundo agora”, ironizou.

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Produto sazonal

A ex-presidente da Comissão Permanente de Licitação da Prefeitura de Bauru, Maristela Gebara, diz que a variação de preço da carne pode ser explicada pela sazonalidade do produto.

“A carne, as verdura, os legumes, conforme a safra e a entressafra, conforme a valorização do câmbio do dólar, os preços são alterados”, justifica.

Ela conta que, no fim do ano passado, a carne no mercado interno, por exemplo, teve uma alta grande. “E não foi só em decorrência da sazonalidade. Foi devido a alta do dólar.”

Maristela diz que quando o dólar sobe, o mercado de exportação torna-se atrativo para o setor frigorífico. “As empresas direcionam para a exportação a maior parte da produção, principalmente essas consideradas de bom corte. Por isso, cai muito a disponibilidade da carne no mercado interno, fazendo o preço subir”, analisa.

A ex-presidente da Comissão Permanente de Licitação afirma que o próprio consumidor, se ficar atento, perceberá que há uma variação do preço da carne no decorrer do ano. “Paga-se valor mais alto, depois paga-se mais baixo. Varia muito. O preço não se mantém estável e não é um produto que tenha alta e não retorne a seu preço. É variável mesmo.”

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