Política

Catarina Carvalho reforçará bloco da oposição

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 5 min

A professora aposentada e presidente da Associação dos Pais para a Integração Escolar da Criança Especial (Apiece), Catarina Carvalho, vai assumir sua vaga na Câmara Municipal na sessão legislativa de segunda-feira como nova integrante do bloco de oposição à administração do prefeito Nilson Costa (PPS).

Filiada ao PFL, partido cujo presidente é o vice-prefeito Dudu Ranieri - inimigo declarado de Nilson -, Catarina não esconde a mágoa que tem do prefeito por tê-la abandonado na formação do seu novo governo.

Logo após ser informada sobre a cassação do mandato do vereador Osvaldo Paquito (PPS), Catarina Carvalho concedeu a seguinte entrevista ao Jornal da Cidade:

Jornal da Cidade - É desconfortável para a senhora retornar à Câmara Municipal na condição de suplente de um vereador que teve seu mandato cassado? Catarina Carvalho - Acho tudo isso muito triste. Mas a Câmara Municipal, nos últimos anos, tem provado seu valor enquanto instituição democrática, fiscalizadora, de proteção ao povo. Estou pronta para retomar minhas atividades na Casa e atender as necessidades da sociedade, principalmente aquela mais carente, com quem muito me identifico.

JC - Na legislatura passada a senhora ficou marcada pelo fato de ter votado contra a cassação do ex-prefeito Izzo Filho. Isso pode ter influenciado na campanha de 2000, eleição em que a senhora não foi reconduzida à Câmara? Catarina - Esse fato teve dois momentos. Na primeira votação, fui contra a cassação porque não havia provas concretas. Havia indícios, mas não fortes indícios. Os vereadores da situação assumiram o compromisso de dar a chance ao ex-prefeito de se defender. O meu compromisso foi o seguinte: se aparecesse denúncia, seria a primeira a votar pela cassação. No segundo momento, votei pela cassação. Acho que eu trabalhei demais na eleição. Fiz muita campanha para o Nilson. Atendia a muitas solicitações por parte do povo. Eu trabalhava diretamente sintonizada com o povo. Acho que eu me distanciei. Faltou técnica de campanha da minha parte. Falhei na minha campanha. Se você corre atrás da campanha do prefeito, perde-se, no mínimo, três horas por dia. E no palanque do prefeito ninguém vê candidato a vereador. Não tive, também, condições de encarar as campanhas milionárias.

JC - A senhora não foi reeleita, mas esperava compor a equipe de secretários do prefeito Nilson Costa. Ficaram seqüelas e mágoas na relação com o prefeito? Catarina - Na época, fiquei magoada em razão do trabalho. Porque quem trabalha, espera continuar trabalhando junto. É uma vocação, é uma missão. Se você gosta de trabalhar pelo povo, você quer continuar trabalhando. Quem falar o contrário, está mentindo. E todo mundo que é de partido político quer o poder para governar e mostrar seu trabalho. Ele (Nilson) me ofereceu um cargo que eu não podia aceitar devido a minha ética, pelo meu jeito de trabalhar. Me foi proposto que eu trabalhasse como assessora da secretária de Educação, Isabel Algodoal.

JC - A senhora assumirá o mandato na sessão legislativa de segunda-feira na condição de integrante de qual bancada: da situação ou oposição? Catarina - Eu sei bem o que eu quero. Vou seguir a minha linha pessoal. Tenho uma leitura da administração do Nilson. Eu tenho uma ótica. Eu não me distanciei da minha cidade, do meu povo, da minha terra, do meu trabalho. Estou ao par das necessidades de Bauru. O prefeito está muito mal assessorado. Ele não tem informação do que está acontecendo. A administração não atende as necessidades do povo. Uma Bauru pujante, maravilhosa, não poderia estar no estado que está, especialmente em razão de chuvas etc. Já deu para o povo se tornar PhD em arrumar ruas. Não se justifica a falta de iluminação que existe na cidade.

JC - A senhora já deve ter se preparado para esse retorno. Existe algum projeto de lei, de sua autoria, que será protocolado nos próximos dias? Catarina - A cidade precisa de muita coisa. Há bairros inteiros que necessitam de pavimentação asfáltica, iluminação, capinação, identidade, placas e nomes de ruas. Na parte social, temos projetos de fiscalização e verificação para ver se tudo está funcionando, como cesta básica infantil, que é um projeto de minha autoria.

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'Não cometi nenhum deslize'

Antes de ter o seu mandato de vereador cassado pelo plenário da Câmara Municipal, Osvaldo Paquito foi à tribuna e fez um discurso de 13 minutos para se defender das acusações. Sua voz estava embargada e trêmula e seus olhos marejados. Mesmo assim, conseguiu levar até o fim a sua linha de raciocínio.

“Hoje, com tudo isso que está acontecendo, podem me cassar. Estou nas mãos de vocês, vereadores. Não cometi nenhum deslize nesta Câmara Municipal que desse um centavo de prejuízo”, se defendeu.

Para ele, o seu caso ganhou uma dimensão muito grande sem merecer. “Se quiserem, cassem o meu mandato, mas a minha consciência ninguém vai cassar. Saio daqui de cabeça erguida porque tenho respaldo moral.”

Logo após seu discurso, o advogado de Paquito, Valdomir Mandaliti, usou a tribuna por 50 minutos para defender seu cliente.

“Nós, hoje (ontem), estamos transformados em um tribunal. Um tribunal sui generis, totalmente anormal daquele que nós trabalhamos. Eu sei que aqui impera o julgamento político. Talvez estejam a serviço de algumas agremiações partidárias”, acusa.

Para Mandaliti, é “injusto” cassar o mandato de um vereador “por vontade, por força, por pressão”. Ele elogiou a atuação, nos últimos, da Câmara Municipal. “Esta é Casa é uma Casa de liberdade.”

Confirmada a cassação do mandato de seu cliente, o advogado disse que deverá buscar na Justiça a nulidade do processo. Mas não adiantou qual medida judicial vai recorrer para tentar reverter a cassação.

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