Economia & Negócios

Unesp, USP e Unicamp ameaçam greve

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

As três universidades estaduais de São Paulo podem entrar em greve a partir do dia 14 de maio. A indicação foi levantada pelo Fórum das Seis - entidade que agrupa sindicatos de docentes e funcionários da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) - e pelos diretórios centrais de estudantes (DCEs) das três universidades.

Com data-base em 1 de maio, docentes e funcionários estão em campanha salarial. Entre outros itens, a pauta de reivindicações prevê reajuste salarial de 25% e adoção de política salarial trimestral. A primeira rodada de negociações com o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) está marcada para o próximo dia 9, no câmpus da USP em São Paulo.

Ontem, a diretoria da Associação dos Docentes da Unesp (Adunesp) de Bauru faria uma reunião às 16h para decidir as próximas ações - entre elas, uma panfletagem no câmpus hoje. De acordo com o professor Osvaldo Gradella Júnior, da diretoria da Adunesp, há forte possibilidade dos funcionários entrarem em greve. “Não está havendo nenhuma preocupação (por parte da reitoria) em negociar”, diz.

Segundo o professor, o Fórum das Seis não está disposto a aceitar aumento menor que 25%, índice que seria “mero reajuste inflacionário”. “Na realidade, a gente está pedindo simplesmente reposição salarial”, afirma Gradella Júnior. Ainda de acordo com o professor, há informações de que o governo estadual pediu para que os reitores “endureçam” nas negociações com os sindicatos.

Segundo a Adunesp, uma planilha divulgada pelo Cruesp em abril demonstra que a folha de pagamento das três universidades é responsável por 80,43% do orçamento conjunto. Entre 1995 e 2000, esse índice era maior, chegando a 87,15%. Se a proposta de reajuste de 25% nos salários for aceita, o comprometimento com a folha de pagamento passaria para 86,7%.

Para Gradella Júnior, esses números demonstram que o Cruesp tem verba disponível para a reposição salarial, mas os investimentos estariam sendo destinados a outras áreas, como o programa de expansão da Unesp - que prevê a implantação de oito novos câmpus no Estado. “Essa malfadada expansão vai ser à custa do salário dos docentes”, diz o professor.

Alunos

Além das reivindicações de melhorias salariais e operacionais para docentes e funcionários, o Fórum das Seis encampou na campanha pedidos para os estudantes das três universidades estaduais. “Para manter a qualidade da universidade, é necessário manter coisas também para os estudantes, o que gradativamente a universidade vem deixando de lado”, observa o professor Gradella Júnior.

Entre as reivindicações para os alunos estão o aumento de concessões de bolsas de iniciação científica e de auxílio, restaurantes universitários e moradia estudantil - esta última, “premente” para a Unesp, segundo o professor. No câmpus de Bauru, um grupo de alunos está alojado em uma sala da universidade, em protesto contra a falta de moradia.

De acordo com o professor, a Vunesp - órgão que coordena o vestibular da universidade - constatou que 53% dos alunos que ingressaram na Unesp neste ano vêm de famílias com renda de até dez salários mínimos, o que representa uma queda no poder aquisitivo médio dos alunos ao mesmo tempo em que aumenta o custo de vida.

“Não é simplesmente uma questão de assistência. É necessário para a formação do aluno que essas coisas existam, para que ele simplesmente não venha à aula e vá embora para casa, ou que tenha de gastar seu tempo correndo atrás de comida mais barata”, declara Gradella Júnior.

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