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Desemprego no Dia do Trabalho


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Ter-se-ia de emprestar valor desmedido à idéia de que quanto mais se estuda maiores são as oportunidades de emprego, porque é incontestável a convicção de que quem sabe bastante tem, normalmente, campo menos fechado para encontrar e exercer as maiores atividades profissionais existentes no mercado empregatício. Em nosso País, no entanto, acontece o inverso, revelam, de forma incontestável, dados ultimamente levantados e divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, mostrando que cerca de 40 por cento dos 2,250 milhões dos desempregados nacionais têm 11 ou mais anos de estudo, possuindo, então, no mínimo, o ensino médio completo. Acontece isso em São Paulo, que de seus 1,230 milhão de gente sem emprego cerca de 505 mil figuram entre os que mais estudaram, alisando anos a fio os macios bancos escolares. No Rio de Janeiro a faixa é constituída por 196 mil dos 472 mil que não encontram trabalho nas suas andanças na praça, aí trombando com o espectro da fome...

Não se situa o País dentro da lógica das coisas, uma vez que essa divergência de conceitos, entre quem estuda mais e quem estuda menos, coloca o seu ensino escolar em um patamar depreciativo, inaceitável sob os demais pontos de vista. Mas, quem teria condições para acertar o passo do descaminho, a não ser uma política governamental tendo em vista abrir mais espaço empregatício para os reconhecidamente “letrados”, de sorte a lhes oferecer as oportunidades que ora não possuem? Trata-se de tema que tem de ser acudido sem mais delongas por quem possa decidir dos destinos da sociedade, porque, num sistema socio-econômico como o que vige no País, no qual, não raras vezes, impera dissolutamente a injustiça, a problemática que afeta os “sem categoria” se torna preocupante e constrangedor. Convivendo por algum tempo com desempregados, pode o jornalista sentir pessoalmente a angústia e a incerteza que se abatem sobre tantos pais de família que, não tendo o imprescindível para viver, lutam a fim de reivindicar seus direitos ou, na pior das hipóteses, um pouco da solidariedade humana, pois não é admissível que se continue negando ocupação profissional a milhões de culturas escondidas atrás do famigerado desemprego. Este legendário Dia do Trabalho bem que é sumamente propício para que o problema da carência de empregos seja empenhadamente estudado pelos responsáveis para com a Nação e solucionado pelos demais. É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)

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