No Dia do Trabalho, muitos jovens bauruenses não têm o que comemorar. Eles ainda lutam para conseguir uma vaga no mercado de trabalho. Para tentar melhorar esse quadro, o governo federal está preparando o Programa Primeiro Emprego, que pretende estimular os empresários a contratarem funcionários que tenham entre 16 e 24 anos e pertençam a famílias de baixa renda.
O governo estima que há 2,4 milhões de pessoas nessa situação em todo o País. São jovens com pouca escolaridade e que, por isso, encontram mais dificuldades para conquistar a primeira chance profissional.
A idéia inicial era lançar o programa hoje, mas o Ministério do Trabalho decidiu adiá-lo até que todos os detalhes tenham sido acertados, entre eles os incentivos que seriam dados para quem aderir à iniciativa.
O empresário bauruense Domingos Malandrino aprova a criação do programa. “Acho a proposta fantástica, pois um dos maiores problemas que o jovem enfrenta é justamente a falta de experiência.”
Ele faz, porém, algumas ressalvas. “O governo precisa também criar mecanismos que possibilitem uma melhor formação a esses jovens, oferecendo cursos de informática e aperfeiçoamento. Não adianta dar incentivos aos empresários se a mão-de-obra não for qualificada. Ninguém vai fazer caridade.”
Malandrino diz ainda que é favorável à implantação de políticas regionais de emprego. “O Brasil é muito grande e até dentro dos Estados há diferenças. As indústrias do ABC paulista precisam de profissionais mais qualificados do que uma empresa de uma cidade pequena, por exemplo. Acho que poderia ser criada uma lei federal única, mas que oferecesse a cada região a possibilidade de definir critérios próprios.”
Setores específicos
O diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) em Bauru, José Luiz Miranda Simonelli, acredita que a mão-de-obra do programa deveria ser direcionada para fins específicos. “Como se tratam de pessoas que não possuem um grau de instrução elevado, o governo deveria incentivar setores como a agricultura e a construção civil a contratá-las. São áreas que têm uma participação importante no Produto Interno Bruto (PIB).”
O gerente regional do Sebrae, Paulo Tebaldi, diz que o programa pode ganhar adeptos na cidade. “Para isso, porém, será preciso reunir as entidades e divulgá-lo. Também é preciso discutir se o Primeiro Emprego não é conflitante com outras iniciativas, como as da Legião Mirim, por exemplo.”
Tebaldi conta que o Sebrae da Capital já utiliza um projeto semelhante, de autoria do governo estadual. “O jovem ganha um salário minímo e fica seis meses conosco. Metade desse valor é bancada pelo Sebrae e a outra metade pelo governo. No final desse período, fazemos o currículo do estagiário e enviamos para diversas empresas. Ele também ganha treinamento e é acompanhado por um tutor. A experiência tem sido positiva.”
O diretor do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) de Bauru, Reinaldo Teixeira Munhoz, diz que está empolgado com o programa. “Nossa grande luta é para inserir o jovem aprendiz no mercado de trabalho e o Primeiro Emprego irá apoiar isso. Podemos até dizer que é uma iniciativa tardia, pois já deveria ter sido colocada em prática.”
Segundo Munhoz, o Senai forma anualmente na cidade 350 alunos de 14 a 18 anos, a maioria deles de origem carente. “Eles saem prontos para atuar, mas precisam de uma chance.”
O diretor acredita que o projeto do governo federal vai encontrar muitos emprespários interessados. “Eles precisam de competitividade para terem retorno e os alunos do Senai oferecem a qualidade necessária.”