A ampliação do número de câmpus de 15 para 23 unidades levou a Universidade Estadual Paulista (Unesp) a rever o processo de interiorização da Reitoria. O debate deve ser retomado pela comunidade universitária a partir do segundo semestre deste ano. Com a expansão, Bauru deixa ser uma das cidades centrais do Estado - característica que poderia favorecer a instalação da sede administrativa no município.
Essa é a opinião do reitor da Unesp, José Carlos Souza Trindade, explicitada em texto elaborado em resposta aos questionamentos feitos pelo JC. Impossibilitado de conceder entrevista pessoalmente, o contato foi feito por e-mail.
De acordo com Trindade, o projeto de transferência da sede administrativa da Unesp da Capital para o Interior integra o atual Plano de Gestão, que também prevê o Programa de Expansão de Vagas/Cursos e Novos Campi.
“Com o Programa de Expansão, ao ampliar o número de vagas, cursos e campi, a universidade ganhou um novo perfil, uma nova dimensão. Conta agora com sete unidades diferenciadas em regiões nas quais não existia ensino superior público gratuito e de qualidade (...). O que ocorreu foi uma maior interiorização da própria universidade, chegando a pontos extremos do Estado”, diz o texto.
Unidades
O JC apurou que as unidades descentralizadas não apresentam a mesma infra-estrutura dos câmpus já existentes, que respeitam o estatuto da universidade. O número de docentes e os escritórios administrativos são reduzidos. Apenas a unidade recém-instalada em São Vicente está passando por um adiantado processo que a transformará no modelo tradicional.
O reitor informa que, diante dessa nova realidade, foi verificada a necessidade de redimensionar o debate sobre a interiorização da Reitoria, já que, a região central da Unesp no Estado, antes representada pelas cidades de Bauru, Botucatu, Araraquara e Rio Claro, não ostentam a mesma condição após a ampliação da universidade.
“O tópico interiorização da Reitoria (...) vem sendo bastante trabalhado. Após tomar posse como reitor, nomeei comissão técnica que conduziu amplos estudos e levantamentos, que incluíram visitas às cidades e reuniões com prefeitos, culminando com a apresentação de relatório ao Conselho Universitário, órgão colegiado máximo da instituição (...)”, diz o documento.
Trindade lembra que o conselho, depois de um intenso debate, aprovou a realização de um plebiscito e nomeou uma nova comissão para realizá-lo. Porém, o novo posicionamento do conselho ainda não havia sido divulgado. Até então, a informação era de que o conselho havia resistido à proposta de transferência da sede administrativa para o Interior.
Já sobre a instalação do escritório regional da Reitoria, inaugurado em Bauru em setembro do ano passado, o reitor confirmou que ele é considerado uma célula embrionária da descentralização.
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Entenda a história
Em outubro de 2000, encabeçando uma chapa de oposição, José Carlos Souza Trindade assume a Reitoria da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Tem como vice o professor bauruense Paulo César Razuk. A vitória, vista como divisor de águas na universidade, foi viabilizada através de um campanha fundamentada na proposta de descentralização da Reitoria.
Na época, professores, funcionários e alunos da universidade defendiam a transferência da sede, desde que ela obedecesse critérios técnicos. A proposta e o posicionamento da comunidade universitária provocaram o envolvimento dos bauruenses e de representantes do Executivo e Legislativo.
Após um discurso de Razuk na Câmara Municipal de Bauru, os vereadores decidiram lutar para trazer a sede da Reitoria para a cidade. Em março de 2001, o prefeito ofereceu três prédios à Reitoria da Unesp. Três meses depois, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico produziu um vídeo para reforçar as vantagens de Bauru.
O trabalho apresentava como destaque para a conquista da reitoria a localização geográfica da cidade e seu privilegiado entroncamento rodo-hidro-ferroviário e aeroviário.
Um mês depois, foi aventada a possibilidade da realização de um plebiscito em todos os câmpus para definir se a sede administrativa deveria ou não ser transferida para o Interior. Porém, a consulta foi transferida para 2002, ano em que a universidade inaugurou um escritório regional da Reitoria em Bauru e ainda não foi realizado. Ele foi idealizado como uma extensão do Gabinete do reitor.
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