A reavaliação da política de interiorização da Reitoria, tendo em vista a nova distribuição geográfica da Unesp, frustrou o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico de Bauru, Roberto Rufino. Em junho de 2001, ele produziu um trabalho em vídeo destinado à comissão da universidade que, na época, estava encarregada de escolher a cidade que sediaria o centro administrativo da instituição.
“Desenvolvemos um trabalho para sensibilizar a comunidade. A gente se sente frustrado porque Bauru está no centro do Estado de São Paulo. O mapa geográfico da universidade mudou, mas o assunto deve ainda ser estudado. Eles (a instituição) perderam a oportunidade de contar com uma sede de três mil metros quadrados, que seria construída pela Prefeitura de Bauru em terreno da própria Unesp”, comenta.
Em março de 2001, a administração municipal, com apoio unânime do Legislativo, ofereceu como contrapartida a construção de um prédio para a instalação definitiva da Reitoria. Também colocou à disposição outros dois imóveis, que seriam locados pela prefeitura por três anos.
Naquela época, o reitor da Unesp, José Carlos Souza Trindade, alegava que a interiorização poderia resultar numa economia de R$ 40 milhões num prazo de dez anos. Contudo, em resposta por escrito encaminhada ao JC ontem, ele informa que o contrato de locação da atual sede da Reitoria vem sendo renovado até agora em bases consideradas bastante favoráveis, tendo em vista o mercado imobiliário local.
Não compartilha da mesma opinião o aluno do curso de jornalismo e membro do Diretório Acadêmico Di Cavalcanti (Dadica), Alessio Esteves. Na opinião dele, o aluguel do prédio que atualmente abriga a sede administrativa da universidade abocanha um percentual alto da verba repassada à universidade e deveria ser reavaliado.
“Devido aos custos, o prédio deveria sair de lá, mas a transferência para o Interior talvez não seja interessante. O acesso até São Paulo é sempre mais fácil. Não vemos vantagens nessa interiorização, até porque temos coisas mais importantes para discutir”, esclarece.
Independentemente das avaliações díspares, o presidente do Grupo Administrativo do Câmpus (GAC) de Bauru, José Brás Barreto, vê com bons olhos a retomada da discussão. “O assunto é importante porque é uma questão que ficou em aberto. Será retomado em boa hora até para dar uma resposta às comunidades que se envolveram”, defende.
Para ele, a localização geográfica é apenas um dos aspectos a ser avaliado, entretanto existem outros tão importantes quanto, como por exemplo, a infra-estrutura da cidade, economia do município e sistema de transporte.