As campanhas do agasalho organizadas por entidades e por iniciativas individuais já estão começando, mas ainda não está definido se a Prefeitura de Bauru, que todos os anos coleta milhares de peças de roupas para serem doadas à população carente no inverno, vai repetir a promoção neste ano.
Sandra Scriptore Rodrigues, secretária municipal do Bem-Estar Social (Sebes), diz que possivelmente a campanha será realizada, mas admite que os preparativos para a coleta ainda não começaram. “Temos verificado que a cada ano, além de cair o número de peças doadas, são coletados menos agasalhos e cobertores, que é o que a população precisa no inverno. A maioria das peças é para calor, como shorts, camisetas, entre outras”, conta.
Já Álvaro de Brito, presidente da Comissão Municipal de Defesa Civil, que há dez anos ajuda a organizar a campanha na cidade, afirma que são tantas dificuldades enfrentadas pelo poder público que seria preferível que as entidades assumissem a iniciativa.
“É preciso ter infra-estrutura de caminhões e ônibus, voluntários, alimentação, galpão para armazenar as doações, entre outros itens, para fazer a campanha. Para coletar os agasalhos de casa em casa, por exemplo, precisamos de 60 caminhões ou ônibus rodando o dia todo”, ressalta. Além disso, é preciso formar uma rede de parceiros para montar os postos de coleta.
Para Brito, a população carente não ficará desasistida caso a prefeitura deixe de organizar a campanha. “Há anos várias entidades e pessoas da comunidade, por iniciativa própria, têm feito campanhas paralelas. Se a distribuição for feita com critério, para que uma favela não receba duas vezes e a outra fique sem, não haverá problemas”, diz.
Uma das campanhas do agasalho que já está nas ruas é a organizada por Maria Madalena Braz de Oliveira, a Madalena Branca. “Já distribui cartazes pedindo doações em bares, farmácias e outros estabelecimentos comerciais do Jardim Redentor e três escolas estaduais”, conta ela que há dez anos coleta roupas no inverno e as distribui no Ferradura Mirim.
A expectativa é coletar cerca de 1.500 peças, como nos anos anteriores. “Queremos distribuir os agasalhos ainda no final de maio para famílias cadastradas pela igreja e outras que estiverem necessitando”, diz ela, que transformou até sua casa em posto de coleta.
A escola Luiz Zuiani, no Jardim Cruzeiro do Sul, recebeu os cartazes da campanha. “Vamos começar a coleta dos agasalhos na próxima semana”, conta Maria Helena Vieira, vice-diretora da escola.
Antônia Correia, que mora no Ferradura Mirim, já está esperando as doações. “Ainda está calor, mas quando esfriar vamos precisar de agasalhos. Tenho quatro crianças pequenas e as roupas que ganhamos no ano passado já acabaram”, conta.
Outra campanha que já foi iniciada é a organizada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). O câmpus de Bauru está recebendo cartazes, camisetas, sacolas e as caixas para o depósito das doações, segundo informa a assessoria de imprensa da universidade.
Iniciativas paralelas
Sandra Scriptore diz que o ideal é que os organizadores das campanhas paralelas consultem a Sebes antes de distribuir os agasalhos. “Isso é importante para que um bairro não receba duas ou três vezes doações e outros bolsões de pobreza fiquem sem nada. Essas campanhas são louváveis desde que não haja repetição das entidades e locais atendidos”, explica.
A campanha do agasalho realizada pela prefeitura já chegou a coletar 120 mil peças, lembra Brito. “Mas nos últimos anos vem caindo o número de doações. Antigamente, tínhamos 300 voluntários do Tiro de Guerra para fazer a coleta casa a casa. Agora, são só 70. Além disso, com o atual preço do combustível, fica difícil conseguir caminhões e ônibus suficientes para a coleta”, frisa.
No ano passado, foram arrecadadas cerca de 70 mil peças em postos fixos de coleta. Já por falta de infra-estrutura, não foi feita a coleta casa a casa. As doações costumam ser distribuídas em 16 favelas e quase 30 bolsões de miséria da cidade.
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Unesp começa a arrecadação
Este é o segundo ano que a Unesp faz a campanha do agasalho, numa parceira com o Fundo Social de Solidariedade do Estado de São Paulo. A versão 2003 da campanha, que foi lançada no último dia 28, em cerimônia no Palácio dos Bandeirantes, tem como estrela principal, no filme publicitário, o jogador Kaká, do São Paulo Futebol Clube.
Além da Unesp, diversos outros órgãos e instituições públicas e privadas participam da parceria. A presidente do Fundo Social de Solidariedade do Estado de São Paulo, a primeira-dama Maria Lúcia Alckmin, se mostrou otimista com a perspectiva de aumentar o número de peças a serem arrecadadas neste ano.
Segundo ela, em 2002, foram arrecadadas cerca de 2,2 milhões de peças de roupas e cobertores. Na Unesp de Bauru, no ano passado foram coletadas 5.800 peças, segundo a assessoria de imprensa. Como no ano passado, a Unesp tem o seu próprio slogan para a campanha do agasalho que é “Abra o seu coração e algumas gavetas também”.
A professora Cleide Trindade, coordenadora da campanha na Unesp, explicou que as roupas e cobertores doados serão repassados aos órgãos sociais das prefeituras onde estão localizadas as unidades da universidade. A distribuição das doações à população ficará a cargo das prefeituras.
Para incrementar ainda mais a campanha interna, a Unesp está programando a realização de shows com o Quinteto de Metais e com outros artistas da universidade, visando aumentar a arrecadação. O ingresso para os shows será a doação de um agasalho. A campanha vai até a primeira semana do mês de julho.