Cultura

A voz do momento

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 4 min

A cantora Fernanda Porto, uma das maiores revelações da música brasileira dos últimos anos, se apresenta hoje no Sesc de Bauru, a partir das 21h. O show encerra a programação especial da entidade para o Dia do Trabalho.

Considerada a voz brasileira do drum’n bass, ritmo de origem inglesa que se caracteriza pela mistura de baterias eletrônicas e baixos profundos, Porto - uma paulistana de 33 anos formada em composição e regência e canto lírico - vai apresentar as canções do seu CD de estréia, que leva o seu nome.

Entre os destaques do disco, lançado no ano passado, estão um dos clássico da bossa nova: “Só Tinha de Ser Com Você”, de Tom Jobim, e “Sambassim”, de sua autoria, que, remixada pelo DJ Patife, estourou na Europa e conquistou as pistas de dança brasileiras. Além das canções do álbum, a cantora vai apresentar uma versão eletrônica para “Sampa”, de Caetano Veloso e “Pensamento”, uma parceria sua com Arnaldo Antunes, entre outras.

De Miami, nos Estados Unidos, onde se encontrava até ontem, a cantora concedeu uma entrevista exclusiva para o JC, por telefone, na qual fala da carreira e do show de hoje. A seguir os melhores trechos.

Jornal da Cidade - Quando você começou a cantar? Fernanda Porto - Comecei a fazer shows em 1990 e depois em 1993 e 94, foram séries de shows nesses anos, mas fiquei um pouco afastada deles me dedicando às trilhas sonoras de filmes e documentários. Em 1997 conheci o drum ‘n bass e voltei a atuar no circuito cultural, a tocar. Desde essa época tenho viajado, feito mais shows no Brasil.

JC - Mas você também é instrumentista... Porto - Meu instrumento principal é o piano. Sou formada em piano erudito e toco também violão. Gravei meu disco sozinha, praticamente, tocando violão acústico, sax, fazendo a percussão... No show eu devo levar uma banda, com baixo, bateria e percussão.

JC - Seu disco tem drum’n bass e bossa nova. Esses ritmos são seus favoritos? Porto - O drum’n bass é um ritmo que é considerado o jazz dos ritmos eletrônicos, é bem sofisticado. É claro que tem vários estilos de drum’n bass, o que eu gosto de fazer é uma coisa mais acústica misturada com drum’n bass, é o blues do drum’n bass pelo qual me apaixonei. É um ritmo que vai estar sempre presente na minha vida mas isso não quer dizer que vou usá-lo em todos os discos. O mesmo com a bossa nova. Considero o meu disco um disco de canções brasileiras com produção eletrônica, mas não é um disco de drum’n bass. Aliás, o drum’n bass me fez voltar um pouco mais para os ritmos tipicamente brasileiros como a bossa nova, o maracatu. O blues do drum’n bass sugere algumas coisas que tem a ver com a música brasileira. Várias pessoas estão explorando essa mistura porque é um ritmo que se comporta muito bem com os ritmos brasileiros, até por uma questão técnica. O drum’n bass é tocado a 160 batidas por minuto e a bossa nova, por exemplo, a 80. Então eles são compatíveis, fora a célula rítmica que é deslocada, o que tem a ver com o samba e toda a tendência suingada do Brasil, uma coisa que não acontece com outros ritmos eletrônicos como o house, que é mais linear.

JC - O CD foi bem recebido comercialmente, você esperava isso? Porto - Não, sempre fui bem pé no chão. Não esperava que pudesse ser uma coisa que agradasse tantas pessoas de vários estilos. Quem me ouviu primeiro foi o público de eletrônico, pessoas que recomendaram o som, pediram para tocar no rádio... É claro que eu devo muito a essas pessoas que gostaram do trabalho e fizeram ele existir, me ajudaram a fazer ele existir. Iam no show... Hoje o meu trabalho é ouvido por pessoas mais velhas também, que gostam de MPB em geral, toco em vários tipos de lugares, casas noturnas, teatros, já toquei sozinha e até em trio elétrico.

• Serviço

Show da cantora Fernanda Porto, às 21h, na área de convivência do Sesc de Bauru. Av. Aureliano Cardia, 6-71. Informações: (14) 235-1787.

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Para todos os gostos

Para comemorar o Dia do Trabalho, o Sesc de Bauru terá uma programação especial eclética. Às 11h, haverá o show gratuito com o grupo Véio Joe. Formado por dois ex-integrantes da Mr. Zaap e músicos da banda Rock Macine, o quinteto mostra em seu repertório canções que marcaram o rock nacional das décadas de 80 e 90, com pitadas dos hits internacionais que marcam o estilo.

Segundo a assessoria do Sesc, para o público infantil foi programada a apresentação gratuita da peça “Sacoletras”. A encenação conta a história de um palhaço muito atrapalhado que pouco a pouco vai transformando a platéia em personagem dos poemas que recita. A peça está marcada para às 16h.

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