Guerra no Iraque 2003

Bush anunciará fim das ações de guerra

Agência Folha
| Tempo de leitura: 3 min

Washington - O presidente americano, George W. Bush, anunciará hoje o fim das principais operações de guerra no Iraque, 42 dias após declarar o início. O pronunciamento, que será feito às 21h (22h em Brasília) em rede nacional, ocorre um dia após a visita-relâmpago do secretário da Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, ao país.

O porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer, afirmou que não haverá declaração de fim da guerra. “Ele (Bush) dirá que as principais operações de combate terminaram (conforme lhe informou o chefe das operações no Iraque, general Tommy Franks)”, disse Fleischer. O pronunciamento ocorrerá a bordo do porta-aviões Abraham Lincoln, na costa da Califórnia.

No Iraque, Rumsfeld, que passou nove horas no país durante um giro de uma semana pelo Oriente Médio, encontrou-se com o chefe da administração provisória americana, o general da reserva Jay Garner, e parabenizou as tropas anglo-americanas.

O secretário também gravou um pronunciamento aos iraquianos em um palácio do ex-presidente Saddam Hussein, desaparecido desde 9 de abril, no qual diz que a coalizão não tem intenção de tomar posse nem governar o Iraque e ficará no país apenas pelo tempo necessário para auxiliar a transição para a democracia.

Rumsfeld, que esteve no Iraque há 20 anos como enviado de Ronald Reagan (1981-1989) para debater com Saddam o apoio de seu país na guerra contra o Irã (1980-1988), disse crer que os países que ele suspeitava estarem recebendo fugitivos do regime iraquiano não o estejam fazendo mais, e pediu para a população ajudar a coalizão a encontrar os foragidos.

Os EUA acusaram a Síria de acolher aliados e familiares do ex-presidente. “Queremos que o povo iraquiano viva na liberdade e possa construir um futuro no qual os líderes iraquianos respondam a suas necessidades, ao invés de matá-lo”, declarou Rumsfeld. Os EUA planejam que o país seja governado por uma administração interina aprovada por Washington durante dois anos, até a promoção de eleições.

A visita ocorre no momento em que crescem as tensões contra a presença americana no país. Ontem, soldados americanos mataram dois iraquianos e feriram outros 15 em Fallujah, 50 km a oeste de Bagdá. Dois dias antes, as tropas dos EUA haviam matado 15 iraquianos - incluindo três crianças - que protestavam contra a ocupação de uma escola local pelos militares.

No incidente de anteontem, as mortes ocorreram durante um manifestação pelas vítimas de segunda-feira. Nos dois casos, os EUA alegam ter reagido a disparos. Testemunhas dizem que os manifestantes estavam desarmados.

Com as mortes e as falhas no fornecimento de serviços básicos à população - muitas localidades estão sem água, luz, coleta de lixo ou esgoto - cresce o sentimento dos iraquianos contra a ocupação anglo-americana. Segundo o general Garner, não há emergência humanitária, ainda que o Comitê Internacional da Cruz Vermelha diga o contrário.

Em Bagdá, parte dos serviços foi restabelecida - o fornecimento de eletricidade alcança 50% da população e o de água, 80%, segundo autoridades americanas. Embora os problemas de saque persistam, a segurança estaria melhor na capital do que em outras cidades do país, onde facções locais brigam pelo poder.

Bagdá conta com um contingente de 12 mil soldados americanos e aguarda a chegada de mais 4 mil. Em todo o Iraque, há hoje 150 mil militares americanos. O secretário americano do Tesouro, John Snow, disse ontem que o Fundo Monetário Internacional (FMI) - do qual os EUA são o maior acionista - deve contribuir na reconstrução iraquiana.

Comentários

Comentários