As cerca de 130 famílias de sem-terras acampadas numa área do Horto Florestal em Bauru, próximo ao Esquadrão da Vida, vão discutir com a direção da Central Única dos Trabalhadores (CUT) de São Paulo e da região a ação de grileiros em áreas públicas. A reunião será no próprio acampamento, hoje, a partir do meio-dia, segundo Flávio de Souza Gomes, que coordenou a ocupação, há uma semana.
Os sem-terras que estão no horto pertencem ao Grupo Terra Nossa, vinculado à CUT. Para os acampados, o governo do Estado está sendo conivente com abandono de área pública e a grilagem. Deve participar da reunião de hoje, além de representantes da CUT de Bauru e região, o presidente da central sindical no Estado de São Paulo, Edilson de Paula Oliveira.
Carlos José da Silva e Souza, assessor-chefe da mediação de conflitos fundiários do Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp), que visitou o horto na quarta-feira, confirma que há grileiros nas terras públicas. Ele conversou com os sem-terras e prometeu informar a Rede Ferroviária Federal, que seria a proprietária da área, sobre a ação de grileiros.
“O Horto Florestal é de propriedade da Fepasa (Ferrovias Paulistas), que foi incorporada pela Rede Ferroviária Federal. Uma parte da área está arrendada para a Votorantin Celulose e Papel, a VCP, e a outra está arrendada para a Marquesa. E é nessa área que está havendo grilagem”, explica.
O assessor do Itesp ressalta que o Horto Florestal poderá ser destinado à reforma agrária, mas somente após o término dos contratos de arrendamento. “A área está destinada à reforma agrária, mas foi arrendada, em 1990, para a CVP e para a Marquesa por um período de 21 anos”, frisa.
Em Bauru, a área ocupada pelos sem-terra é reivindicada pelo loteador Luiz Carlos Pagani. Ele afirma que tem documentos que comprovam ser o proprietário das terras. No último domingo, ele disse que entraria na Justiça com pedido de reintegração de posse, mas o seu advogado não retornou as ligações do JC para comentar o assunto.
Enquanto isso, os sem-terras continuam na área. Na quarta-feira, a liderança do grupo reuniu-se com o major Pedro Batista Lamoso, comandante operacional do 4.º Batalhão da Polícia Militar do Interior-4.
Eles pediram que a PM faça rondas no acampamento para garantir a segurança dos acampados e das pessoas que dizem serem donas da área. Lamoso acolheu o pedido dos sem-terras, ressaltando que a PM já estava fazendo rondas no acampamento.