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O casamento é o desasfio do milênio


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Em um mundo globalizado, onde as distâncias se reduzem a centésimos de segundo em uma chamada telefônica, o ser humano distancia-se do seu semelhante, reduzindo o contato social e ameaçando instituições como o casamento. Hoje, as pessoas não parecem dispostas a viver a doação exigida no amor conjugal. Os demógrafos afirmam que o casamento está se tornando menos importante, o número de separações cresce e de filhos gerados fora do casamento também. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o número de divórcios em relação ao de casamentos cresceu de 12% para 24% desde 1985.

Estar casado ainda continua melhor que estar só, pelo menos em alguns aspectos. É o que comprova a ciência. O próprio Émile Durkein já havia observado que os casados cometem menos suicídios que os não casados, atestando que os casados têm mais (boas) razões para viver. Também as Universidades de Maryland e de Chicago comprovaram que os casados têm uma vida sexual melhor (pobres solteiros). Existem regras para bem viver a dois? Muitos são os conselhos dos especialistas, porém São Paulo parecia compreender o problema na essência, como podemos constatar em sua primeira Epístola aos Coríntios (Capítulo 7).

Logo no início, Paulo diz que “bom é para o homem não tocar mulher, mas para evitar a fornicação tenha cada um a sua mulher, e cada uma o seu marido. A mulher não tem poder sobre o próprio corpo, mas o marido; igualmente o marido não tem poder sobre o próprio corpo, mas a mulher. Não vos recuseis uns aos outros”. E, nos versículos 10 e 11, “Aos casados, porém, ordeno, não eu, mas o Senhor, que a mulher não se separe do marido e que o marido não repudie a mulher”. Se for possível a convivência, devem ficar juntos para serem abençoados. Todos, diante do altar, dizem “sim” tendo um desejo sincero que a relação dure, de fato, para sempre. Mas se a intenção tende a ser a mesma, o que explica que tantos casamentos terminem rapidamente e outros não?

Casais que conseguem equilibrar as suas diferenças são mais propensos a construir um casamento estável. Porém, quem não aprende a lidar com os conflitos, omitindo-os ou exagerando-os, tende a separar. A mulher, hoje em dia, consegue trabalhar, ter filhos e construir uma família. Tornou-se muito mais preparada para lutar pelo que quer. Com isso, o seu amadurecimento no relacionamento também é maior que o do homem, criado principalmente para o empenho profissional. Falta ao homem desenvolver sensibilidade e diálogo. No meio desse conflito, casais com posturas semelhantes diante da vida pessoal e profissional tendem a se entender melhor.

No auge da paixão, porém, muita gente esquece que vários problemas que põem o casamento em risco podem ser evitados antes mesmo do “sim”. Conhecer bem o parceiro e seus valores antes de decidir casar previne crises que poderiam não ter solução. Namoro, menos “físico”, mais conversa! Deve-se investigar a bagagem familiar que cada um traz consigo. Cada um de nós, quando casa, leva para o casamento valores, vícios e histórias de família que nem sempre combinam com os do parceiro. Muitas pessoas repetem valores destrutivos de suas famílias no seu casamento.

Viver só mostra-se mais fácil que em família. O casamento é uma vocação que deve ser vivida no verdadeiro sentido cristão: sem egoísmo, amar sem esperar retorno, fazer o bem sem cobrar, sacrifício, doação, paciência e perseverança. É você quem abençoa ou amaldiçoa o futuro dos seus filhos. Pense bem! (Mário Eugênio Saturno é Tecnologista Sênior da Divisão de Sistemas Espaciais do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Professor da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Catanduva (FAFICA) e congregado mariano. (Email: saturno@dea.inpe.br))

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