Auto Mercado

A 'casa' dele é a rodovia

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

Você não leu errado e nem o jornalista que escreve esta reportagem enlouqueceu. Realmente a “casa” do cicloturista chileno Juan Matias Santos, 38 anos, é a rodovia. Há 13 anos, ele pedala pelo mundo, tempo suficiente para conhecer 35 países e rodar, segundo seus cálculos, mais de 200 mil quilômetros.

Ele chegou a Bauru na manhã de quinta-feira passada, dia 24, após pernoitar em um posto em um município vizinho. Aqui na “terrinha”, parou para descansar e acabou conhecendo um empresário dono de uma bicicletaria na cidade, local que solidariamente lhe efetuou, de graça, a manutenção necessária em sua “bike” e onde Juan concedeu entrevista ao AutoMercado&Cia.

A história de Juan com o ciclismo e as estradas começou após passar por uma tragédia familiar. Em 1990, seus pais, um chileno e a mãe brasileira que viviam com ele em Curitiba (PR) desde 1980, morreram. Desde então, por opção pessoal, passou a viajar de bicicleta sem destino certo. “Como sempre gostei de esportes de aventura, resolvi conhecer o planeta de bike. Onde me dá na cabeça eu vou”, conta ele.

Segundo Juan, quase nada lhe é motivo de preocupação. Para dormir, arma a barraca em qualquer lugar. Se o problema for dinheiro para alimentar-se, o chileno se vira com os caminhoneiros. “Eles são verdadeiros irmãos para mim, pois são os que mais me ajudam”, revela.

Mas engana-se quem pensa que Juan tem vida fácil nas rodovias. Só sua bicicleta de 21 marchas pesa, descontando-se os cerca de 85 quilos do chileno e acrescentando suas bagagens, cerca de 140 quilos.

Entretanto, além de pesada, a “bike” de Juan é preparada para encarar qualquer desafio. Nela, o chileno leva tudo que julga necessário para uma “confortável” vida na estrada: barraca, roupas, capacete, luvas, pneus e uma câmara de ar reserva, tudo acomodado em dois amplos baús instalados à frente e na traseira. Além disso, equipou-a com farol e faixas refletivas para viajar tranqüilo à noite.

Apesar de levar uma vida pouco comum, Juan jura não sentir falta de uma residência fixa. “Nunca tive problemas nas estradas, pois sequer fui roubado. Gosto de estar e viajar por elas. Se tiver qualquer apuro, resolvo com meu radioamador”, garante ele.

Planos e sonhos

De Bauru, o próximo passo do ciclista é rumar para o Sul do País, de onde partirá para o Uruguai, Chile, Peru, Equador e Colômbia, este seu atual destino principal. De lá, Juan pretende retornar ao Brasil, mais especificamente para Fortaleza, cidade portanto já chegou a residir temporariamente na choupana de um amigo. “Na verdade, passei um tempo por lá ajudando-o a vender coco e peixes”, explica ele.

E é justamente para o Nordeste que Juan faz uma verdadeira declaração de amor. Mesmo já tendo conhecido países como Espanha, Portugal, México, Estados Unidos e boa parte da América Central, o chileno afirma que, dos lugares que já passou, a região brasileira foi a que mais o marcou. “É um povo muito solidário e hospitaleiro. É onde quero encostar minha cabeça na velhice”, revela.

E enquanto a senilidade não chega, Juan ressalta que continuará pedalando pela paz, nome escolhido por ele para definir sua série de viagens. “Sou ambientalista e, por onde passo, procuro passar mensagens positivas. Sei que não posso mudar o mundo, mas estou fazendo a minha parte”, finaliza o chileno.

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Perfil

Nome Juan Matias Santos

Idade 38 anos

Naturalidade Chileno

Hobby Viajar de bicicleta

Lugar bonito para passear Fernando de Noronha e Recife

Time do coração Não tem

Se pudesse, para quem você faria questão de dar carona na sua bicicleta?

“Os caminhoneiros, que são verdadeiros irmãos nas estradas para mim.”

E para quem você não daria carona de jeito nenhum?

“Para meus parentes, pois são pessoas que não me ajudam e só gostam de criticar.”

O que mais lhe irrita quando está na estrada?

“Os buracos. Aliás, estou até pensando em iniciar uma campanha para a conservação das rodovias, pois elas estão péssimas no Brasil e, por causa disso, pessoas estão morrendo.”

Quais suas primeiras impressões de Bauru?

“Me decepcionei logo com a primeira pessoa que conversei, um empresário, que foi mal educado comigo quando fui lhe pedir ajuda. Mesmo assim, saio daqui com uma boa impressão da cidade.

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