Uma campanha veiculada pela televisão recentemente orienta os pais a fazer fotos de seus filhos usando o flash para detectar possíveis manchas no olho. O objetivo da propaganda é fazer um alerta sobre o retinoblastoma - um tipo de câncer que afeta a retina das crianças e, se não for descoberto a tempo, pode levar à perda da visão ou até mesmo à morte.
De acordo com o oftalmologista André Hamada, 75% dos casos de retinoblastoma são identificados por meio de fotos ou observação dos pais. Ele explica que ao ser disparado, o flash bate na retina e seu reflexo fica registrado na imagem. Quando há um tumor ou outra anomalia ocular, ao invés de um brilho, aparece uma mancha esbranquiçada dentro do olho.
“Nem toda mancha é sinal de câncer. A leucocoria, como é chamada essa pupila branca, pode ser causada por várias doenças. O retinoblastoma é a mais grave delas, mas é a mais rara, felizmente. De qualquer forma, uma mancha no olho indica que há um problema, por isso, a criança deve ser levada rapidamente ao oftalmologista”, esclarece.
No início deste ano, o Centro Infantil de Investigações Hematológicas Dr. Domingos Boldrini, de Campinas, realizou o 1.º Simpósio Internacional de Retinoblastoma. Na época, a oftalmologista Maristela Palazzi explicou que nem sempre a fotografia ajuda a descobrir a doença.
“A detecção do tumor através de seu reflexo em uma fotografia depende de sua localização e tamanho. Tumores muito pequenos e de localização periférica não serão detectados em uma foto”, comentou.
Segundo os médicos, os pais devem observar a visão e os olhos de seus filhos desde os primeiros dias de vida. Manchas, sombras na menina dos olhos, formas estranhas da íris ou pupila, vermelhidão e películas são sinais de que algo não vai bem.
“Ou o olho torto. A criança que tem um tumor não enxerga bem, então ela pode desenvolver um estrabismo associado. Antigamente esperava-se algum tempo para ver se o estrabismo não se corrigiria sozinho. Hoje recomenda-se procurar o oftalmologista logo, porque pode ser indício de algo mais sério”, salienta Hamada.
De qualquer forma, a melhor maneira de se diagnosticar um retinoblastoma, segundo os especialistas, é fazer o exame de fundo de olho na criança. Palazzi explica que o médico usa um colírio para dilatar as pupilas e examina a retina, sem qualquer risco para a criança. Muitas vezes, quando a mancha aparece na foto o tumor já está em estado avançado.
“Quando se faz um diagnóstico precoce do tumor, a chance de cura é de 90%”, afirma Hamada. “Diagnosticado precocemente, pode-se salvar a visão do paciente deixando-a em condições normais”, acrescenta o oftalmologista Luiz Utyama.
“Mas o retinoblastoma é um tumor extremamente maligno e agressivo e pode sofrer metástase no cérebro e ossos, levando a criança à morte”, completa Hamada.
Tratamento
O retinoblastoma é um tipo de câncer e, como tal, a escolha do tratamento vai depender do estágio em que está a doença. Segundo Hamada, quando o tumor é descoberto numa fase inicial, o médico pode optar pela quimioterapia (medicamentos), pela radioterapia (radiações), pela crioterapia (congelamento local) ou pela laserterapia.
Estes métodos são usados no intuito de enfraquecer e destruir o tumor. “A remoção do globo ocular só é necessária nos casos em que o tumor se apresenta grande demais para ser tratado por esses métodos conservadores”, comenta Palazzi.
Ou quando o tumor se mostra mais agressivo e ameaça espalhar-se (metástase) para outros órgãos. Nestes casos, opta-se por retirar o olho para salvar a vida do paciente.