Bairros

Para historiador, Bauru é fragmentada

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 2 min

Cidade fragmentada. É assim que o historiador Célio Losnak, professor do Departamento de Ciências Humanas da Universidade Estadual Paulista (Unesp), concebe Bauru quando avalia a forma pela qual as pessoas se apropriam dos espaços na cidade.

Na opinião do acadêmico, a existência de pessoas que têm vida centrada em uma região e desconhecimento em relação a outras é característica de cidades de porte médio ou grande.

“Ou seja, os moradores tendem a se concentrar em regiões físicas que se referem a lazer, trabalho e regiões físicas que remetem ao espaço que é social - espaços físicos que dão suporte às relações sociais do meio deles”, explica.

Losnak afirma que são aspectos sociais e financeiros que dificultam acesso aos diversos bairros da cidade. Uma família de quatro pessoas sem carro que vai ao centro da cidade em coletivo gasta R$ 9,60 só em passe de ônibus para ir e voltar. “Sem considerar a despesa do passeio, como ir ao cinema, comer pipoca ou tomar sorvete”, acrescenta.

Por outro lado, as pessoas que moram em bairros mais centralizados e que têm poder aquisitivo médio ou alto tendem a se restringir aos espaços conhecidos e que atendem às suas necessidades.

“Se a atividade profissional não levar a outros lugares, o lazer não leva a outros lugares e as relações de proximidade pessoal não levam a outros lugares, a tendência é as pessoas se acomodarem a esses espaços que são físicos, mas também sociais”, expõe o professor.

Além disso, quem depende de ônibus em Bauru têm mais dificuldades que aqueles que se locomovem em carros próprios. “Quem depende de ônibus na cidade sabe que é extremamente difícil se locomover. Sem dúvida nenhuma, nos bairros mais periféricos - seja pela distância ou pela deficiência de transportes - a aproximação dos moradores com outros locais é mais difícil”, enfatiza.

Segundo Losnak, tal característica é reforçada pela ausência de projetos que tenham como objetivo a eliminação da fragmentação. Por isso há pessoas que não conhecem o bosque da comunidade ou o shopping center.

O historiador acredita que instituições poderiam promover atividades de lazer que levem ao conhecimento dos espaços de Bauru. “As instituições que poderiam estar ligadas a essa aproximação não têm projetos. Pessoas que poderiam promover a dispersão das pessoas na cidade não promovem”, critica.

Isso não significa que as pessoas que se concentram em seus bairros não têm lazer. Fazer compras hoje é lazer para uns. Mas, para outros, lazer pode ser conversar com amigos e vizinhos ou ir a festas de família.

“Nem sempre envolve o consumo. São outras atividades de lazer mais tradicionais”, diz Losnak.

O historiador não vê a concentração de pessoas de outras cidades como agravantes da segmentação. “Não é só o fato de ser de fora que segmenta. São questões de sociabilidade e identidade. Outras questões vão aproximando as pessoas e definindo ou indicando alguns lugares de encontro na cidade. Essa idéia de que as pessoas de fora não se articulam à cidade é complicada”, observa.

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