Bairros

Jovens

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 2 min

Se antigos moradores da cidade têm dificuldade de andar pelos diversos bairros e locais de Bauru, os cidadãos mais jovens já têm desculpa para se perder de vez em quando e confessar que não conhecem a periferia.

O universitário João Víctor Ferreira dos Reis mora há 20 anos em Bauru, desde que nasceu no Jardim Cruzeiro do Sul. Ele estuda em período integral na Universidade Estadual Paulista (Unesp) e vive entre o câmpus da universidade e sua casa. No máximo, vai ao Jardim Bela Vista à noite para trabalhar.

No início da conversa com a equipe do JC, o unespiano disse que conhecia bem a cidade. “Já ouvi falar em muitos bairros. Mas alguns como o Bauru 22 e o Bauru 2000 eu não conheço. Se me deixasse lá eu ficaria perdido”, afirma.

Ao final da entrevista, João Víctor mudou de idéia. “Acho que eu não conheço a cidade então.”

Viviana tem 18 anos e também mora desde que nasceu em Bauru, na Vila Paraíso. Já ouviu falar de Pousada da Esperança, Fortunato Rocha Lima e Ferradura Mirim, mas nunca esteve nesses locais. “Periferia? Já passei, mas nunca freqüentei”, expõe.

Curiosidade não falta, segundo a estudante de educação física. “Para ver as diferenças sociais - que a gente sabe que são muito grandes”, justifica.

Além dos bairros da periferia, ela também nunca foi ao Jardim Botânico e ao Museu Ferroviário, por exemplo. “Acho que as pessoas não vão mais por falta de interesse porque transporte público tem”, afirma.

Ela alega falta de tempo e anda sempre de casa para o câmpus ou para o trabalho. Nos fins de semana, quando tem tempo livre, prefere ir ao cinema, a bares da região central ou ficar em casa com o namorado. “Às vezes, eu não saio e fico em casa vendo um filme, por exemplo”, explica.

Durante a última semana, Viviana visitou a favela do Parque Real com a equipe de reportagem do JC. Ela conheceu uma casa de apenas um cômodo em que vive uma família de quatro integrantes que passam por muitas necessidades.

As diferenças constatadas pela universitária são muitas. “É um lugar mais sujo. Há muito lixo nas ruas e as crianças descalças aparentam ser maltratadas. As pessoas têm que conhecer melhor a cidade e ver que nem todos os lugares são maravilhosos”, acredita.

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