Bairros

Periferia é região mais desconhecida

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 2 min

Se por um lado algumas pessoas carentes mal conhecem a região central, por outro lado moradores de bairros mais abastados muitas vezes ignoram a periferia da cidade.

As relações sociais, o trabalho, a família, os locais destinados ao lazer podem tornar desnecessário para um habitante da zona Sul de Bauru ir até o Fortunato Rocha Lima ou ao Ferradura Mirim, por exemplo.

O desconhecimento nem sempre pode ser explicado pela distância já que locais próximos também são esquecidos pelos transeuntes.

A moradora do Jardim Bela Vista Flávia Bertolo Costa diz que costuma deslocar-se principalmente para os bairros em que tem parentes, tais como Vila Falcão, Centro e Altos da Cidade.

Flávia alega que é difícil conhecer toda a cidade porque muitos núcleos habitacionais foram inaugurados nos últimos anos. “Quando vou para o Centro e vejo os ônibus passando eu nem sei onde ficam os bairros”, confessa.

Ela também não conhece alguns museus da cidade e afirma que tem curiosidade. Quanto aos bairros, diz que os mais distantes pelos quais já passou são o Núcleo José Regino e o Fortunato Rocha Lima. “Santa Cândida, Jardim Ivone e Vila Maria, por exemplo, eu não sei nem onde ficam. Não faço a menor idéia”, afirma.

Luciana Costa, que mora no Jardim Ferraz, conta que achava que conhecia Bauru razoavelmente, mas mudou de idéia quando foi à favela do Parque das Nações na última semana, acompanhada pela equipe do JC. “Eu achava que eu conhecia a cidade, mas percebi que eu não conheço”, diz.

Ela reparou nas diferenças entre a favela e os bairros que costuma freqüentar em seu cotidiano. “Aqui (no Parque das Nações) o lixo está no meio da rua, a céu aberto. Não é possível ser uma pessoa civilizada morando nessas condições. O problema não é casa de madeira. É higiene e dificuldade de acesso”, avalia.

Luciana sugere que as autoridades responsáveis pela cidade visitem com freqüência os bairros periféricos. “As pessoas que defendem o nome da cidade de Bauru deveriam passar por esses locais e tomar a iniciativa de fazer alguma coisa”, critica.

Ivânia Ferrúcio de Souza, do Jardim Ouro Verde, dá outro exemplo. Há 33 anos (desde que nasceu) ela mora em Bauru, mas faz percursos não muito flexíveis no dia-a-dia.

“Tem bastante bairro que a gente não sabe o nome. Emenda uma coisa na outra e não dá para saber. Mas eu conheço mais o Centro, por onde eu passo. Gostaria de conhecer, por exemplo, o Ferradura Mirim”, diz.

O aposentado Othoniel Garcia, do Jardim Bela Vista, diz que não precisa deslocar-se a grandes distâncias e anda principalmente entre o Centro e o bairro em que mora. “Conheço razoavelmente bem Bauru”, acredita.

Ele conta que lecionou durante muito tempo na Vila Nova Esperança e passava pela Vila São Paulo e pelo Ferradura Mirim. “São bairros muito pobres que sofrem necessidade muito grande de todos os recursos. São empurrados da cidade para a periferia por falta de tudo”, expõe.

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