Tribuna do Leitor

Chega de hipocrisia


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“A inércia dos bons faz a audácia dos maus.” (Pio XII)

“Si vis pacem para bellum” - “Se queres a paz prepare-te para a guerra” (máxima latina).

Sejamos realistas. “Sub lege libertas” (a liberdade debaixo da lei), é esta a fórmula ou o princípio que define a condição principal de ordem nas sociedades democráticas. Porém, é preciso não esquecer que o poder e a justiça sem a reserva da força são nulos.

Cabe ao Estado proteger a liberdade moderada de todos, contra a liberdade desregrada de alguns. Quanto mais forte é a autoridade, tanto mais poderosa é a sua proteção.

As liberdades físicas são mós de que seremos os grãos, se não soubermos ser o moleiro.

“A família existe pela carne, a sociedade pelo medo” (grifo meu e sem digressões filosóficas).

Uma sociedade que não se defende não merece ter defensores. Será inócuo todo o esforço que já se fez e o que vier a ser feito, se não houver mudanças radicais nas leis que venham a proteger o executor da segurança (o que dá a cara para apanhar).

É, no mínimo, hipócrita a preocupação de uma parte da sociedade que se diz desassistida e clama por segurança (não se faz omelete sem quebrar os ovos).

Vejamos: o policial, militar ou civil, faz seu juramento de sacrificar-se pela sociedade e, por meio de um falso, momentâneo e piegas sentimentalismo etc., ela o imobiliza e o pune.

Mesmo no estrito cumprimento do dever, quando sua vida está a perigo, arrimado, ainda, pelo solene juramento de proteger a sociedade, o policial que fizer uso de sua arma para protegê-la, enfrentará:

1º - Afastamento imediato do serviço (dizem que para protegê-lo de seqüelas psíquicas).

2º - A turma dos direitos humanos (a propósito, alguém já viu esses cidadãos defenderem o policial ou confortar a sua família?). Será que eles consideram o policial invulnerável ou imortal?

3º - A sociedade hipócrita e piegas (com exceção).

4º - Ouvidoria, corregedoria, ministério público e, ainda, a mídia (nem toda) que, tergiversando a Lei, sataniza o policial e santifica o marginal, colocando-o quase que de imediato em liberdade.

Como conseqüência do desarme do cidadão honesto e equilibrado (olhem o que está acontecendo no Rio e outras grandes cidades), não vai demorar muito e veremos a seguinte cena: toca a campainha. A dona de casa atende e o marginal, mostrando o “tresoitão” dirá, magistralmente: “tia”, vim assaltá-la. Abra o portão e eu quero isto, isto e mais aquilo. Estarei exagerando? O tempo dirá. O homem não é absolutamente livre como não é absolutamente perfeito; no mundo do existir, o homem é algo livre e algo perfeito, daí a necessidade da Lei e do poder coercitivo.

Como tentar melhorar? já disse lá em cima: a sociedade existe pelo medo e a liberdade é filha da obediência. O transgressor ama a liberdade, mas não obedece. Que se mude radicalmente a Lei, dando ao policial o amparo, pelo menos igual ao dado ao marginal; que se dê proteção física (armas adequadas, coletes eficientes, treinamento, etc.); salário justo e compatível com o risco a que se vê submetido diuturnamente, até de folga.

Que a sociedade desperte para a realidade: amparar o agente da Lei é autoproteger-se. A você, policial militar/civil, cujo estoicismo protege o arcabouço social, eu os respeito e os admiro pela abnegação e coragem, por arriscarem suas vidas ante tanta desproteção social.

Parafraseando o grande Padre Vieira, eu diria: policial militar ou civil, se tudo fazes pela sociedade e ela te é ingrata, fazes o que deves, e ela o que costuma.

Sem generalizações. Grato pela acolhida. (José dos Santos - RG. 20.744.947)

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