Tribuna do Leitor

A ponte da promiscuidade


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Na década de setenta, quando do auge da ditadura militar brasileira, ela era um marco da integração e da prosperidade que uniam o Brasil do “Milagre Econômico” com o Paraguai de “economia sem milagres”. Na década de oitenta começava a febre dos sacoleiros, que logo se transformariam em ambulantes. Naquela época eles tinham a aprovação da população que sabia não haver empregos suficientes para toda aquela gente, que se sujeitava a viver na chamada “economia informal”. Os governantes fingiam que sabiam do problema e permitiam que o mesmo crescesse e se alastrasse para muito longe da Ponte da Amizade. Na década de noventa a passagem que liga o Brasil ao Paraguai passa a ser utilizada com freqüência para a entrada de contrabando, drogas, veículos adulterados pelos “hermanos” depois de terem sido roubados em solo brasileiro, motos desmontadas e muita muamba pirateada.

Chegamos então ao século XXI e a imoralidade persiste, tanto no que diz respeito ao desemprego recorde em todo nosso país, quanto a absoluta falta de competência de nossos governantes para colocarem um ponto final nessa rota oficiosa da droga e do contrabando. O prejuízo causado pela omissão de nossas autoridades naquela fronteira é algo assombroso, e somente compreensível por entendermos que governo existe para cobrar impostos da classe trabalhadora e não para administrar com seriedade e rigor todos os cantos de nosso imenso país.

São milhões de CDs piratas, maços de cigarros, software, DVD’s, equipamentos eletroeletrônicos, bebidas e tudo quanto é produto sem o devido recolhimento de seus respectivos impostos e taxas, alimentando a indústria da corrupção e o narcotráfico. Mas é mais fácil inventar e manter a CPMF do que combater a máfia da fronteira, é muito mais tranqüilo achacar nossos hollerites com uma carga tributária digna de primeiro mundo do que fechar aquela passagem símbolo da promiscuidade paraguaia e do jeitinho brasileiro. (Rafael Moia Filho - RG 6.711.407-6)

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