Revitalizar para não perder. Esse é o lema do chefe da 6ª Circunscrição do Serviço Militar (CSM) de Bauru, tenente-coronel Sérgio Brito. Ele pretende construir um novo prédio, com o dobro da área atual. “Com isso, diminuiríamos os riscos de que se volte a falar em extinção da unidade”, explica.
No ano passado, o Exército elaborou um projeto de reestruturação que incluía a desativação da CSM de Bauru. Depois de uma mobilização da comunidade local, a decisão acabou sendo revista.
O tenente-coronel, que assumiu o cargo em fevereiro, diz que a estrutura que a unidade de Bauru possui está saturada. “Como ela estava para ser extinta, não houve investimentos nos últimos anos. Além disso, o nosso prédio está ultrapassado e não cumpre as funções de uma organização militar. Não há estacionamento, local ideal para formaturas e nem um espaço para a prática de treinamentos físicos”, relata.
O novo prédio ficaria em uma área de 2 mil metros quadrados, onde hoje está o campo de futebol do Tiro de Guerra. “Podemos reunir lá toda a parte militar da cidade, ou seja, a CSM, a Junta de Serviço Militar e o Tiro de Guerra. Seria bom para o cidadão, que teria um local específico para resolver qualquer questão relativa ao Exército, e também para a prefeitura, que economizaria o aluguel do prédio da Junta.”
Brito diz que os recursos para a obra seriam gerados pela sede atual. “Pretendemos realizar o que chamamos de manobra patrimonial. Nossa idéia é ceder essa área para uma empresa que construiria, em troca, o novo espaço.”
Avaliação
O chefe da CSM conta que os primeiros contatos para que o projeto se viabilize já foram feitos. “Encaminhei um documento para a Região Militar, em São Paulo, solicitando uma avaliação do prédio. O próximo passo é definir quais empresários teriam interesse em comprá-lo. Podem ser instituições de ensino ou construtoras que queiram erguer aqui um edifício residencial ou comercial.”
Brito afirma que ainda não sabe se a negociação seria capaz de cobrir os custos da nova sede. “Se o valor que arrecadarmos não for suficiente, precisaremos do apoio das entidades e do setor privado da cidade. Seria a hora da comunidade mostrar que realmente deseja que a CSM fique aqui”, frisa.
Ele diz que uma possível desativação do órgão seria prejudicial para o município. “Se isso ocorresse, a CSM seria absorvida por outra regional, como Sorocaba ou Ribeirão Preto. A perda seria política, pois Bauru está no comando de 161 munícipios, onde moram 3 milhões de habitantes, e também econômica, já que temos 16 recrutas e outros 30 funcionários que deixariam de gastar o salário no comércio local.”
O militar lembra que a circunscrição é responsável por uma série de funções. “Nós coordenamos o alistamento e a entrega do certificado para os reservistas. Sem ele, a pessoa não pode prestar concursos, tirar passaporte, cursar a universidade e nem concorrer a cargos eletivos. Além disso, a maioria das empresas exige o documento na hora de contratar um funcionário.”
Brito conta que o órgão presta ainda outros serviços. “Atendemos cerca de 600 inativos do Exército. Se contarmos os dependentes, são 1,5 mil pessoas que recebem atendimento médico e odontológico. Precisamos levar em consideração que os idosos têm dificuldades de acesso e o gabinete dentário, por exemplo, fica no segundo andar.”
Ele já tem um prazo para concluir a construção da nova sede. “Esse é o meu principal objetivo de trabalho e tenho dois anos para completá-lo. Se isso não ocorrer, posso pedir um tempo complementar ou passar a tarefa para meu substituto. O problema é que ele pode achar melhor fazer obras de adequação no prédio atual. Cada um tem uma visão administrativa.”
Múltiplas funções
Para Sérgio Brito, a importância do Exército brasileiro pode ser notada pelas diversas tarefas que ele executa. “Nós sempre participamos de campanhas públicas, sejam elas de arrecadação de agasalhos, vacinação, distribuição de alimentos ou de água no Nordeste. Além disso, auxiliamos na construção de estradas e durante as eleições somos chamados a colaborar onde há necessidade.”
Ele cita ainda outras atribuições. “Nós nunca vivemos em paz nas fronteiras. Nossos batalhões especiais sempre estão cumprindo missões. O problema é que nossas divisas são grandes demais. Enquanto temos 200 mil homens, o Exército da Coréia do Norte tem 450 mil.”
Brito falou da participação das tropas no patrulhamento das capitais, como ocorreu recentemente no Rio de Janeiro. “Podemos dar um reforço, mas jamais assumir uma função que cabe às polícias Civil e Militar. Nossa tarefa é a defesa territorial.”
Ele comentou também os investimentos do governo Lula para o setor. “O Exército é uma instituição permanenete e tudo o que ele faz está previsto na Constituição. O que existem são prioridades com relação às verbas. Tenho 30 anos de serviço, que incluem o período dos governos militares, e nunca fomos prioridade. Sempre lidamos com dificuldades, o que não impediu que cumpríssemos as nossas obrigações.”
O tenente-coronel acredita que o Brasil vai manter a tradição pacifista. “Tanto é assim que o presidente reiterou que era contra a intervenção no Iraque.”
Segundo ele, o exército não pode abrir mão do reservista do Interior de São Paulo. “O nível intelectual dele, se comparado aos jovens de outros Estados, é muito acima da média. Normalmente, são soldados que já têm cursos de informática e completaram ou estão terminando o segundo grau.”
Fórum
Para debater as questões relacionadas à construção da nova sede, o tenente-coronel Sérgio Brito está organizando um fórum de discussões. O evento será realizado no próximo dia 22, às 16h, no auditório da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib). “Queremos fazer uma mesa-redonda com todos os interessados em participar desse empreendimento e montar um grupo de trabalho para tratar do assunto.”
As inscrições para o fórum devem ser feitas na Seção de Comunicação da CSM, na rua Bandeirantes, 3-55. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (14) 223-8344.