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Regras mudarão segurança eletrônica

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

Bauru conta, atualmente, com 22 empresas de segurança eletrônica. Mas a expectativa de empresários do setor é que haja uma redução drástica no número de empresas quando a Associação Brasileira de Empresas de Segurança Eletrônica (Abesi) passar a exigir regras para a atuação no mercado.

Sem normas estabelecidas, muitas vezes as empresas não prestam a assistência devida aos seus clientes quando o alarme dispara porque não têm funcionários e viaturas. No ano passado, a Polícia Militar de Bauru atendeu 1.296 ocorrências de disparos de alarmes residenciais e menos de 5% delas eram de competência da polícia, segundo o capitão Benedito Roberto Meira, comandante da 1.ª Cia.

“Em cerca de 95% dos casos, o alarme disparou por problema na instalação, falha de equipamento ou porque algum animal transpôs a barreira”, diz. Em função disso, segundo Meira, a PM está adotando uma triagem para atendimento de ocorrências de disparo de alarmes e, assim, evitar deslocamentos desnecessários de equipes. Wanderley Betti, sócio-proprietário de uma das empresas de segurança eletrônica de Bauru, está ansioso pela regulamentação do setor. “A Abesi está estudando todos os itens e compromissos que as empresas terão que ter para continuar no mercado. Eles vão fiscalizar as empresas”, diz.

Betti acredita que com a regulamentação do setor, o mercado de segurança eletrônica vai passar por uma seleção natural. “Só ficarão as empresas que tiverem competência para atuar conforme as regras. O atendimento ao usuário é prioridade”, afirma.

Ele lembra que, dentre outros itens, a empresa de segurança eletrônica terá que ter viaturas e funcionários suficientemente para atender o número de consumidor que se propõe. “Terá que cumprir com o piso salarial da categoria que será regulamentado, ter capital de giro, entre outros requisitos”, explica.

O empresário Anis Buzalaf Jr., do setor de segurança eletrônica, é enfático em dizer que as empresas de “fundo de quintal” acabam atrapalhando o trabalho das sérias. “Elas não prestam o serviço e o usuário é que fica com o prejuízo. A maioria dos consumidores só descobre que contratou um serviço que não existe na hora em que a casa é arrombada”, diz.

Ele lembra que há empresas que mal sabem instalar os equipamentos. “Instalam errado e o alarme dispara constantemente, irritando todos os vizinhos. Este é outro problema que o consumidor pode enfrentar”, frisa.

Buzalaf Jr. ressalta que a polícia é acionada constantemente para atender ocorrências de disparo de alarme, o que é competência da empresa de segurança eletrônica. “Quem trabalha sério sabe que a vigilância deve ser feita pela empresa. A polícia só é acionada se a casa realmente foi roubada ou furtada”, frisa.

Ele concorda que a polícia deixe de prestar atendimento a casos de disparo de alarmes. “Eu acho que a polícia tem que prestar o serviço que se propõe e não ficar trabalhando para a empresa privada. A responsabilidade é da empresa contratada”, ressalta.

Um serviço sério de segurança eletrônica, segundo o empresário, deve ter o monitoramento 24 horas. “Toda vez que o alarme disparar o atendente deve ligar para o local e enviar uma viatura da empresa para fazer a checagem do fato. Muitas vezes uma ave ou um animal disparam o alarme e nesses casos não há necessidade da presença da polícia”, ressalta.

Os disparos de alarmes ocorrem na cidade toda, mas tem uma concentração maior nas áreas central e sul, de acordo com o capitão Meira. “De janeiro a março deste ano fizemos 258 deslocamentos para verificar alarme disparado. Este serviço é de competência da empresa que instalou e monitora o alarme. A polícia só deve ser chamada se ocorreu um crime”, explica.

O dispositivo, que poderia ajudar a polícia na prevenção ao crime, está na verdade, prejudicando o trabalho da PM, afirma o capitão. “O serviço oferecido por empresa de “fundo de quintal” está atrapalhando o nosso. Por isso vamos atender somente quando o morador acionar. Não vamos prestar serviço para as empresas”, diz.

Na opinião do comandante da 1.ª Cia, este tipo de atendimento significa um ônus para a PM. “Deslocamos uma viatura para atender um caso e quando chegamos no local constatamos que o alarme disparou por causa de má instalação ou algum animal acionou o alarme”, diz.

O professor Darvino Concer sentiu na pele o que é contratar uma prestadora de serviços sem estrutura para atendimento ao cliente. “Fui atraído pelas vantagens oferecidas pela empresa. No final do ano eu e minha família íamos sair de casa. Quando digitamos a senha, o alarme disparou e não parava mais. Na central instalada em casa aparecia falha no sistema”, conta.

O professor não conseguiu contato com a empresa, com sede na Capital. “Depois de 72 horas é que eles me retornaram dizendo que uma equipe viria a Bauru para efetuar o conserto. Só então descobri que a empresa não tinha mais escritório e equipe de manutenção em Bauru”, relata.

Após o conserto, o professor rescindiu o contrato com a empresa de São Paulo e contratou uma local. “Fui conhecer de perto o sistema da empresa bauruense. Me assegurei de todos os detalhes para não enfrentar problemas novamente. Instalei alarme monitorado em minha casa e na empresa”, relata.

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