Política

Alckmin pede aumento na cota do SUS

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) está reivindicando junto ao governo federal o aumento da cota de atendimento médico do Serviço Único de Saúde (SUS) no Estado. Ontem, Alckmin visitou São Manuel, Barra Bonita, Jaú e Boracéia para anunciar obras de recapeamento das rodovias da região.

Segundo ele, o Estado precisa de mais R$ 12 milhões por mês - cerca de R$ 144 milhões por ano - para atender a demanda mínima da rede hospitalar e receber pelos procedimentos realizados.

Alckmin exemplifica que nos últimos meses seu governo inaugurou cincos novos hospitais, incluindo o de Bauru, mantidos com recursos diretos do tesouro do Estado. “A gente não consegue colocar esses hospitais novos no SUS porque não tem teto. Se colocar, tem que tirar de alguém”, explica.

Com isso, o governador conta que fica praticamente impossível atender as reivindicações de santas casas e entidades filantrópicas do setor de saúde, que necessitam de recursos para sobreviver.

Ele lembra que o Estado de São Paulo responde pelo atendimento médico e hospitalar de alta complexidade do País.

“Os casos mais graves são caros. Tecnologia de ponta vem para o Estado de São Paulo. Atendemos aos demais Estados. E até hoje não se estabeleceu um sistema de compensação para esse atendimento dado a outros Estados.”

O governador também defende que o SUS receba pelos atendimentos feitos pelos prontos-socorros e santas casas das pessoas que pagam planos de saúde. “O seguro saúde deveria ressarcir o SUS porque ele já foi pago por isso. O governo atendeu. Só que o Estado não pode cobrar, só o governo federal”, explica.

Ele diz que recentemente foi a Barretos e visitou o Hospital do Câncer. “Esse hospital atende a 17 Estados do País. Se for agora no Instituto do Coração, o Incor, na Beneficência Portuguesa, na Santa Casa de São Paulo, dentre outros hospitais, a maioria das pessoas atendidas na alta complexidade não é de São Paulo.”

O governador conta que recebe diariamente cartas de prefeitos e de outros colegas de Estado pedindo atendimento para alta complexidade. “Tudo bem, vamos atender. Não vamos nos negar a atender ninguém. Mas precisamos subir a cota”, pede.

As propostas foram levadas por Alckmin diretamente ao ministro da Saúde, Humberto Costa. “A resposta foi positiva. Só que isso envolve uma briga judicial. O caminho é o entendimento com as seguradoras para resolver o problema.”

Ele afirma que o ministro foi receptivo às propostas. “Ele já está revendo os tetos. Se isso acontecer, com certeza vamos poder atender muito mais”, prevê.

O governador já sinalizou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que vai ajudar o governo na reforma da Previdência e Tributária. “A reforma não vai resolver todos os problemas. Mas ela é um passo na direção correta. E nós vamos ajudar. Sem solução para o País, não há solução para os Estados e municípios”, prega.

Ele avalia que as reformas da Previdência e Tributária, depois de executadas, vai possibilitar a redução da taxa de juros. “O País poderá crescer, gerar emprego, renda. É isso que todo mundo deseja. O PSDB, em princípio, deverá apoiar. Deverá haver uma reunião da bancada. Eu não voto, mas vou ajudar porque acho importante.”

Na avaliação dele, a reforma da Previdência busca um “equilíbrio melhor”. “O sistema atual é muito regressivo. É o trabalhador de menor renda que está pagando o salário mais alto. A reforma estabelecerá limites. Isso ajudará prefeituras, governos dos Estados e federal.”

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