Regional

Índias buscam profissionalização

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 3 min

Avaí - Um grupo de cerca de 60 mulheres indígenas, de 14 a 45 anos, vai integrar, a partir de hoje, o projeto Costurarte, a primeira iniciativa de profissionalização feminina realizada dentro da tribo terena, em Avaí.

O projeto, que está sendo desenvolvido através de uma parceria entre a Associação das Mulheres Indígenas do Centro-Oeste Paulista (Amicop) e a Secretaria de Estado de Emprego e Relações de Trabalho, atenderá mulheres da tribo terena, guarani e kaingang.

Durante o curso, com duração de seis meses, o grupo terá aulas de corte e costura, ministradas pela monitora Olinda Paiva.

As atividades serão desenvolvidas duas vezes por semana em três turmas de 20 mulheres, e acompanhadas pelo coordenador bilíngüe da tribo, Albino Sebastião, que fará a tradução das aulas para o idioma terena. Os recursos para a aplicação do curso estão sendo cedidos pelo governo do Estado.

Segundo a presidente da Amicop, a terena Jupira Manoel Sobrinho, essa é a primeira de uma série de iniciativas de profissionalização que deverão ser realizadas na tribo. O objetivo, segundo ela, é gerar renda, além de valorizar a auto-estima e a capacidade de trabalho da mulher indígena.

“Nós queremos que a sociedade enxergue a gente como uma mulher com capacidade. Nós temos condições de alcançar uma profissão. Muita gente pensa que nós temos miolo de macaco, mas pelo contrário, o que falta é oportunidade”, afirma.

Jupira explica que, a partir do curso, a intenção é produzir roupas para os integrantes da própria tribo, além de gerar renda com a venda das peças.

Segundo ela, os próximos cursos profissionalizantes realizados na aldeia devem ser de guia de turismo, manicure e cabeleireiro para as mulheres, e pedreiro, eletricista e mecânico para os homens.

Outros tempos

De acordo com Jupira, por conta de iniciativas dessa natureza as mulheres já enfrentaram, tempos atrás, discriminação da população masculina da tribo. “Hoje, os caciques estão dando um grande apoio para nós”, assegura.

Mesmo assim, a presidente da associação afirma que os homens ainda estão espantados com o processo de emancipação feminina dentro da aldeia. “Eles estão muito assustados, porque as mulheres estão participando inclusive das reuniões das lideranças masculinas.”

Na opinião de Jupira, atualmente, as mulheres da tribo estão se organizando, ganhando voz e experimentando um processo de conscientização em relação aos seus direitos, sem perder de vista a importância da preservação de seus valores culturais. “Nós estamos descobrindo a capacidade que nós temos, enquanto mulher, de poder participar, contribuir e falar.”

Conquistas

Jupira afirma que muitas mulheres da tribo já foram exploradas submetendo-se a serviços de bóia-fria, em fazendas vizinhas da aldeia. “Hoje eu posso dizer que elas não trabalham mais”, afirma.

Segundo ela, com o apoio da Fundação Nacional do Índio (Funai) e o desenvolvimento de um projeto agrícola na tribo, as mulheres, passaram a plantar dentro da própria reserva. “Inclusive está sendo realizada a primeira colheita de milho”, comemora.

A Associação das Mulheres Indígenas do Centro Oeste Paulista (Amicop) surgiu em 1995, com objetivo de reivindicar os direitos das índias e enfrentar problemas como a discriminação, tanto em terras indígenas como em centros urbanos. “Nós indígenas sofremos discriminação duas vezes: uma por ser mulher outra por ser índia”, afirma a presidente.

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