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Paciente perde mão reimplantada

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

O paciente Márcio Matias Ribeiro, que após um acidente teve a mão decepada e no mesmo dia reimplantada por uma equipe de especialistas do Hospital de Base (HB), voltou para casa ontem após receber alta hospitalar, mas sem a mão. Ela foi amputada sexta-feira passada, por causa de uma infecção, que comprometeu a circulação do sangue. A informação foi confirmada ontem pelo microcirurgião e cirurgião plástico Carlos Augusto Cameschi.

Ele, junto com outros seis especialistas, chegou a restabelecer a mão da vítima numa primeira cirurgia que durou 13 horas. No último dia 19, Ribeiro chegou ao Pronto-Socorro Central (PSC) com a mão decepada enrolada num pano, dentro de um balde. Na mesma noite, ele foi conduzido ao centro cirúrgico do HB para fazer o reimplante.

Através da operação, vasos e tendões da mão do paciente foram religados. Quase uma semana depois, Cameschi e um colega realizaram uma segunda intervenção cirúrgica para ligar os nervos. No dia seguinte, contudo, o paciente começou a apresentar febre com picos de até 45 graus, conta o microcirurgião.

“Os antibióticos já não estavam fazendo efeito e a circulação (da mão) estava problemática. Na segunda-feira à noite, ele voltou para a mesa de cirurgia. Foram mais quatro horas de operação para fazer a limpeza interna dos vasos com a efusão de anticoagulante. A circulação voltou”, lembra o médico.

Contudo, segundo ele, a febre persistiu por dois ou três dias e a infecção (contaminação por bactérias) causou lesões irreversíveis no interior dos vasos.

“Para não provocar prejuízos à saúde dele, indicamos a amputação para a sexta-feira de manhã. A mão já estava passando por um processo de mumificação. O dedo, por exemplo, estava murchando. Antes, conversei com Ribeiro e expliquei que enquanto tivesse circulação, iríamos tentar tudo. Mas não deu. Estou muito triste e chateado porque foi uma luta grande”, confessa o microcirurgião.

Cameschi está ainda mais contrariado porque quando o paciente é submetido a um reimplante e não apresenta quadro infeccioso nos primeiros sete dias, dificilmente a cirurgia apresenta um problema como esse.

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Força

“Eu perdi a mão, não o corpo todo ou a vida. Estou triste, mas conformado porque tenho dois filhos para criar. Tenho de ter força e levantar a cabeça”, diz Márcio Matias Ribeiro. Ele espera obter uma prótese de mão e continuar trabalhando.

Porém, por enquanto, vai permanecer sob cuidados médicos. Ribeiro ainda sente dor no local onde sofreu a amputação e está com as pernas inchadas. Por ter sido submetido a um enxerto para religar os nervos, sua perna foi aberta para que o material, posteriormente inserido na mão, fosse colhido.

“Minhas pernas estão piores que as de grávida. Mas no fundo, tirar a mão foi a melhor saída porque eu estava sofrendo muito. Depois que o negócio começou a complicar, eu sentia no coração que não ia dar certo”, confessa.

Segundo ele, os piores momentos foram posteriores à amputação. A dor era tanta que só foi amenizada à base de morfina. “Pelo menos agora dá para agüentar. Estou recebendo todo o respaldo da empresa onde trabalho e existe a possibilidade de retorno ao emprego, mas em outra atividade”, conclui.

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