Economia & Negócios

Economia & Negócios

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

• Disputa histórica

Está lançada aquela que está sendo considerada a maior disputa da história do varejo brasileiro: a venda da rede supermercadista nordestina Bompreço, controlada pelo grupo Royal Ahold e que possui 116 lojas. O volume de transação deve ser recorde e a operação poderá ser feita por etapas. Conforme assunto comentado nesta coluna recentemente, este ano pode voltar a ser marcado no setor de supermercados por grandes negócios envolvendo fusões e aquisições de empresas. Muitas transações pode resultar da venda da Bompreço.

• No páreo

No páreo pela compra de unidades da rede estão o Grupo Pão de Açúcar - o mais cotado atualmente -, o francês Carrefour e o americano Wal-Mart (maior cadeia varejista do mundo). O ABN Amro Bank, que conversa com os interessados, pensa em vender os negócios que envolvem os 116 supermercados da rede de forma separada. Um grupo fica com as lojas e outro com o cartão da empresa, o Hipercard, o maior da região Nordeste.

• Dívida

O ABN Amro Bank assumiu o comando da venda da rede nordestina porque o Royal Ahold tem uma dívida com o banco que soma US$ 13 bilhões. Ao vender a Bompreço, essa dívida será abatida do valor da venda. O presidente do Conselho de Administração do Pão de Açúcar, Abílio Diniz, já declarou que sua empresa está no jogo e que o grupo brasileiro está aberto a novas aquisições. Atualmente, o Pão de Açúcar é a primeira empresa no ranking do setor supermercadista.

• Liderança

A acirrada disputa em torno dessa venda é muito fácil de se explicar. Quem ficar com a Bompreço será líder absoluto no Nordeste e irá disparar no ranking, podendo até mesmo desbancar o Pão de Açúcar. No ano passado, o grupo da família Diniz pagou R$ 360 milhões pela rede Sé. Mas ao final das negociações, descobriu-se que não havia nenhum interessado no negócios, somente o Pão de Açúcar. Já na disputa da rede Bompreço são, no mínimo, três concorrentes no páreo.

• Ranking

Se o Pão de Açúcar comprar a rede nordestina, passará a ter uma receita superior a R$ 15 bilhões (incluindo o Eletro). É válido lembrar que em 1997 Ana Maria Diniz chegou a dizer que entre a rede gaúcha Sonae e a Bompreço, ela preferia esta última. Se o Carrefour ou o Wal-Mart baterem o martelo, o ranking do setor muda completamente. A rede francesa, com apenas duas lojas no Nordeste, ultrapassará o grupo brasileiro - com 46 lojas na região - e voltará à liderança. Já o Wal-Mart se tornará a terceira maior cadeia do setor e sairá de sua atual sexta posição.

• Cartões de crédito

Uma pesquisa divulgada pela Credicard mostra que as mulheres aumentaram sua participação no mercado brasileiro de cartões de crédito. Segundo o levantamento, dos 40,8 milhões de cartões de crédito em circulação no País no final do ano passado, 46% pertenciam ao público feminino. Mesmo assim, as mulheres gastaram menos do que os homens através desta forma de pagamento - o que prova que realmente o público feminino tem grandes habilidades para administrar e controlar o uso do dinheiro.

• Mulheres

A pesquisa mostrou que, em 2002, as mulheres realizaram 38% do volume de transações com cartão de crédito, resultando num volume total de R$ 69,3 bilhões. Enquanto as mulheres utilizam o cartão mais para o pagamento de compras de roupas, jóias, no cabeleireiro e na farmácia, os homens gastam com postos de combustível, restaurantes, hotéis e Internet. Para este ano, a Credicard prevê que o número de cartões de crédito em posse das mulheres passará de 18,8 milhões para 21,4 milhões de unidades.

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