Geral

Quadro de funcionários limita setor de hemodiálise do HB

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

A falta de funcionários pode levar a unidade de hemodiálise do Hospital de Base (HB) a não aceitar novos pacientes. Atualmente, cada um dos 20 profissionais do setor atende pelo menos cinco doentes renais crônicos, quando deveria cuidar de no máximo quatro, de acordo com portaria do Ministério da Saúde. A situação só deverá ser revertida quando o Hospital Estadual (HE) de Bauru inaugurar novos serviços.

A dificuldade no atendimento foi confirmada ontem pela nefrologista Tereza Faifer, para quem o serviço de hemodiálise (processo artificial de depuração do sangue) não tem como esperar porque é premente. Números apresentados por ela indicam que uma média de cinco novos pacientes são atendidos por mês. Em fevereiro, a unidade recebeu cinco novos doentes (quem passa pelo tratamento). Em março e abril, oito e quatro, respectivamente.

“Nós temos máquinas de última geração, vagas, médicos e o operacional funcionando perfeitamente, mas faltam funcionários. Estamos no limite. Tínhamos um quadro de 23 profissionais, mas três entraram em licença. Dois estão em treinamento, o que leva pelo menos três meses. Solicitamos à diretoria da Associação Hospitalar de Bauru (AHB) a contratação de mais dois”, explica ela.

Demanda

Atualmente, 111 doentes renais crônicos procuram a unidade três vezes por semana para fazer o tratamento. Cada sessão tem duração de quatro horas. Técnicos e auxiliares de enfermagem também se revezam para atender emergências nas unidades de tratamento intensivo (UTI). Dependendo do dia, cada profissional assume pelo menos seis pacientes.

Se a portaria número 242/96 do Ministério da Saúde fosse respeitada integralmente, a AHB deveria contratar no mínimo mais cinco funcionários e dispor de um quadro com 28 profissionais entre técnicos e auxiliares de enfermagem.

“Como o hospital não remunera as horas extras, elas são pagas em folgas. Por isso, às vezes, ficamos desfalcados. Todo mundo está se desdobrando para atender. Trabalhar aqui é sempre em regime de tensão e estresse”, comenta Faifer.

Segundo ela, o paciente tem de ser acompanhado durante a sessão porque pode sofrer, por exemplo, uma queda brusca de pressão. Em alguns casos, até convulsão. Pacientes com insuficiência coronariana devem receber atenção redobrada, explica.

A carência de profissionais e o desrespeito à portaria pode resultar em sanção por parte da Vigilância Sanitária. A unidade fica sujeita até à suspensão do serviço, segundo explica o ex-presidente da Associação Bauruense de Apoio e Assistência aos Renais Crônicos (Abrec), Luiz Fernando dos Santos Costa.

Porém, segundo Faifer, a Vigilância Sanitária (VS) tem trabalhado como parceira.

“Ela (VS) registra o que está em desacordo e exige providências. Graças ao trabalho dela conseguimos a modernização dos equipamentos e da estrutura física”, destaca.

A unidade de hemodiálise foi inaugurada em dezembro de 2001 e dispõe de equipamentos modernos e seguros. O prédio oferece uma sala com capacidade para 16 pacientes, outra para outros quatro e uma terceira atende os doentes renais com sorologia positiva para hepatite B e C.

____________________

Solução

A dificuldade de atendimento na unidade de hemodiálise do Hospital de Base decorrente da falta de funcionários só será revertida quando o Hospital Estadual (HE) de Bauru assumir a demanda por cirurgias não emergenciais e inaugurar os serviços de pediatria e de queimados. Quem garante é o presidente da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), José Georges Saab.

Ele confirma a reivindicação referente às contratações por parte da equipe médica do setor de nefrologia.

“Não adianta contratar agora e dispensar depois. Nosso serviço de hemodiálise é modelo no País e a falta de funcionário é temporária. Até o dia 15 tudo estará resolvido”, ressalta.

O diretor técnico do HE, Carlos Alberto Macharelli, garante para esse mês o atendimento infantil, porém ressalta que a unidade de queimados não tem previsão para ser inaugurada.

“No cronograma oficial, o serviço está previsto para abril de 2004, mas pretendemos antecipá-lo para esse ano. Porém, dependemos de conversas com a Secretaria do Estado da Saúde”, explica.

A informação foi reiterada pelo diretor técnico da Direção Regional de Saúde (DIR-10), Affonso Viviani. Ontem, ele foi procurado por profissionais do HB, que apresentaram a dificuldade.

“Nos procuraram para saber sobre o atendimento do HE. A AHB deve fazer um remanejamento de funcionários e a dificuldade deve ser contornada logo”, conclui.

Comentários

Comentários