A modelagem do sistema de transporte coletivo de Bauru completa um mês no próximo dia 12. O diretor da Divisão de Trasnportes da Empresa de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), Waldomiro Fantini Júnior, afirma que o perfil de quem reclama mudou. “Nos primeiros dias, tivemos mais problemas com os itinerários. Hoje, são questões de horário, se chegam muito cedo ou tarde à escola e ao trabalho.”
Ele vê outra diferença entre os usuários descontentes. “Nas primeiras reinvindicações, eles vinham em grupo. Chegamos a receber cerca de 40 associações de moradores. Agora, são problemas mais isolados, particulares ou de poucas pessoas. Não é mais o bairro todo que está reclamando.”
Fantini Júnior diz que os ajustes vão continuar acontecendo. “Estamos fazendo o que realmente é necessário, acertando horários em determinadas situações, como a saída dos alunos das escolas, ou implantando pontos de ônibus. São apenas detalhes. Na medida do possível, temos acatado as sugestões.”
Para ele, a diminuição do número de pessoas que ligam para o Sistema de Atendimento ao Usuário (SAU) é uma das povas de que os problemas estão diminuindo. Segundo a Emdurb, antes da modelagem eram recebidos, em média, 450 telefonemas diários. Depois da mudança, foi registrado um pico de 1,2 mil em um único dia. Na terça-feira, 462 usuários utilizaram o sistema.
Diante disso, três dos nove ramais do SAU serão desativados a partir de hoje. “Os funcionários que estavam prestando esse serviço voltarão para os setores em que trabalhavam antes.”
Entre os usuários que reclamam, os motivos são variados. “Os horários estão ruins para quem trabalha no Bauru Shopping”, diz a vendedora Kelsiane Galli.
O presidente do Centro Acadêmico IX de Julho, da Faculdade de Direito da Instituição Toledo de Ensino (ITE), Dilson Gustavo Lima Bernardo, afirma que muitos alunos foram prejudicados com o cancelamento da linha Sambódromo/Hospital Manoel de Abreu. “Eles agora precisam sair antes do final da aula para conseguir pegar outro ônibus.”
Medo do escuro
O diretor da Emdurb acredita que o mais importante foi ter mantido a essência do projeto original. “A premissa básica para atender as reinvindicações era não aumentar a quilometragem e nem a quantidade de veículos. Isso nós conseguimos. Mudamos, mas não comprometemos.”
Ele diz que não tira a razão de quem reclama. “Algumas integrações entre bairros foram quebradas porque não justificava mantê-las, já que a demanda era baixíssima. É lógico que quem as usava não gostou, pois gastava um passe e agora utiliza dois. Eles têm motivos para estarem descontentes, mas temos que pensar na sociedade.”
Fantini Júnior acredita também que a espera nos pontos de ônibus no período noturno gera boa parte dos protestos. “As pessoas têm medo de ficar no escuro e buscam a segurança dentro do ônibus.”
Segundo ele, a economia feita com a modelagem está dentro do que foi previsto. “O custo do transporte era de R$ 3,9 milhões por mês. Baixamos para R$ 3,5 milhões. Temos que levar em conta que esse mês foi complicado, pois em três semanas tivemos feriados.”
Apesar da diminuição nos custos, ele afirma que ainda há um déficit no sistema. “Estamos buscando um equilíbrio, mas teremos em breve, o reajuste da categoria. Hoje, a mão-de-obra significa 60% dos gastos. Além disso, há uma queda no número de passageiros tem sido notada pela Emdurb. “Verificamos que quem mora em algumas regiões mais próximas do Centro está preferindo ir para casa a pé ou de bicicleta.”
Fantini Júnior diz que o déficit acumulado é de R$ 4,5 milhões. “Antes da modelagem, esse valor crescia R$ 600 mil por mês.”
Ele conta que o cronograma para a implantação do passe integração está mantido. “Temos até setembro de 2004 para colocá-lo em funcionamento, mas pretendemos fazer isso até a metade do próximo ano.”