Turismo

Santa Teresa

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 5 min

O navio Rivadávia partiu da Itália trazendo a bordo imigrantes que sonhavam em encontrar no Brasil uma terra fértil para cultivar.

Do Rivadávia desembarcaram no porto de Vitória, no Espírito Santo, famílias inteiras, entre elas a dos irmãos Lambert, que descobriram em um passeio, uma região com solo perfeito e o clima ideal.

Os Lambert e mais oito casais de italianos mudaram para a mata e iniciaram, em 1895, Santa Teresa, município a 650 metros acima do nível do mar e 85 quilômetros distante da capital capixaba.

Preocupação com o verde

Seus três vales, o do Canaã, que inspirou a obra de Graça Aranha, do Caravaghio ou das Tabocas, dão uma visão perfeita de um lugar que ensina a importância do verde desde a escola.

Até mesmo os agricultores, que sustentam a economia, procuram respeitar o limite entre a necessidade do desmatamento.

A prefeitura local procura intermediar uma situação nem sempre fácil, já que toda a produção local de hortifrutis abastece a Grande Vitória.

Mas existem aliados, crianças convocadas pelos amigos do Museu Mello Leitão, onde Ruschi passou boa parte de sua vida estudando a mata e catalogando os beija-flores que lhe deram fama mundial.

São os próprios moradores, pequenos ou adultos, que entram em campo quando a missão é conscientizar. Foram eles que distribuíram sementes de palmito para incentivar a plantação e saem às ruas como bombeiros comunitários para dar o primeiro combate quando há fogo nas matas que cercam a região.

O verde e a pesquisa estão também nas três reservas do lugar: o Museu Mello Leitão, doado por Augusto Ruschi para a União, a Reserva de Santa Lúcia, onde foi enterrado, e a de Lombardia, com seus mais de quatro mil hectares.

Tudo em Santa Teresa lembra os fundadores na cidade. As casas mantém arquitetura tipicamente italiana e os restaurantes servem a culinária trazida pelos imigrantes. O Círculo Trentino se encarrega de manter viva a dança e os costumes dos antepassados, que anualmente realizam a tradicional Festa do Imigrante.

Santa Teresa é um dos municípios de maior crescimento econômico do Espírito Santo e também uma bela cidade com trilhas e morros com altitude de até 880 metros. Há ainda formações rochosas no caminho do distrito de São Roque, escolhido para abrigar, desde a década de 60, uma das grandes encenações do País, a Paixão de Cristo.

O verde e cultura são marcos de uma cidade que cresce com a tradição dos italianos, o cuidado com a qualidade de vida e a preservação do meio ambiente, de olho no futuro.

Como chegar De Vitória a Santa Teresa pela Rodovia BR-101, Norte. Entrar em Fundão e seguir pela estrada ES-080.

São 85 quilômetros, sendo 28 de serra, com curvas fechadas.

Polenta em Venda Nova

Venda Nova do Imigrante, fica 50 quilômetros de Vitória, pela rodovia BR-262 que liga a capital do Espírito Santo a Minas Gerais.

É o município mais alto do Espírito Santo: está a 830 metros de altitude.

A região tem um dos melhores climas do mundo, atraindo personalidades como os empresário Roberto Marinho que investiu em na cidade e lá mantém uma confortável propriedade rural.

Além das cachoeiras, como a de Caxixe Frio, com uma queda de 60 metros, outra atração de Venda Nova é a Reserva Florestal de Forno Grande: sua formação rochosa tem o ponto mais alto a 2.039 metros de altitude.

Venda Nova do Imigrante foi colonizada essencialmente por imigrantes italianos. Por isso o município mantém as alegres tradições italianas: cantorias, danças, bocha e a culinária, cuja maior comemoração se dá com a Festa da Polenta.

A diversificada agricultura, a produção de queijos, biscoitos, geléias, massas, licores, vinhos e embutidos (socol), comercializados nas propriedades locais fazem do município a capital estadual do agroturismo.

• Serviço Informações detalhadas sobre cada cidade da Rota das Montanhas nos sites: www.santateresa.com.br (em construção), www.saunet.com.br/prmdm (Domingos Martins) e www.vendanova.com.br (Venda Nova do Imigrante).

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O paraíso das orquídeas em Domingos Martins

A apenas 43 quilômetros de Vitória, um portal tipicamente alemão mostra ao visitante que ele está entrando num outro mundo.Um mundo que faz parte do Brasil mas parece outro país.

Domingos Martins, cidade tipicamente alemã, com construções no estilo enxaimel, é considerada a área mais rica do mundo em orquídeas e bromélias.

Somente em sua reserva, no Morro do Eldorado, o maior colecionador do gênero no Brasil, Roberto Kautsky, catalogou mais de 1,2 mil espécies.

O verde está por todo lado do município localizado 570 metros acima do nível do mar: nas trilhas e até mesmo nas dezenas de pousadas, hotéis e sítios fincados nas matas locais.

Além da excelente infra-estrutura hoteleira, nos arredores existem cerca de 15 cachoeiras, como a do Galo, com seus 70 metros de queda, e corredeiras, formadas nos braços sul e norte dos rios Jucu e Melgaço, onde se realiza anualmente uma das etapas do Campeonato brasileiro de Canoagem.

A bucólica Domingos Martins tem perto de 30 mil habitantes, boa parte descendentes de alemães que fundaram a cidade em 1846, e economia baseada na agricultura e no agroturismo.

Uma curiosidade é o fato de raríssimos hotéis oferecerem quartos com ar condicionado ou ventiladores. Isto porque, ao contrário da capital do Espírito Santo, Vitória, que no verão registra temperaturas próximas a 40ºC, o município mantém um clima agradável durante todo o ano, entre 10 e 18 graus nos períodos mais quentes.

Como chegar Domingos Martins está localizada a 43 quilômetros de Vitória, seguindo pela BR-262, que liga o Espírito Santo a Minas Gerais.

Há ônibus que fazem o percurso diariamente.

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