Esportes

Guerrinha deixa comando do Bauru

Wagner Teodoro
| Tempo de leitura: 3 min

Guerrinha não é mais o técnico do Bauru Basquete. Em reunião realizada ontem com a diretoria do clube bauruense, o técnico acertou sua saída do comando da equipe. O contrato de Guerrinha com o clube iria até o final de junho, mas um acordo entre o treinador e o Bauru antecipou o final do vínculo contratual.

Guerrinha chegou a Bauru em outubro de 1998. Na época, a equipe era patrocinada pela Tilibra e Copimax e havia conquistado o acesso à Divisão Especial do Campeonato Paulista. Com um trabalho eficiente, o técnico fez de um time mediano uma das potências do basquete nacional.

Em quatro anos e sete meses à frente da equipe, Guerrinha conquistou dois títulos - o Paulista de 1999 e o Nacional de 2002. Levou a equipe ainda a um vice-campeonato estadual, em 2000, e ao segundo lugar no Sul-Americano, em 1999. Mais que títulos, Guerrinha deu uma identidade ao basquete masculino de Bauru.

“Consegui implantar meu estilo de jogo aqui, consegui trazer a escola francana. Bauru, hoje, valoriza o sistema de jogo, como Franca. A comunidade percebe que basquete tem mais que apenas o cestinha. Franca tem isso.”

Guerrinha ressalta que sua vontade era permanecer em Bauru. “Eu queria ficar desde que continuasse nosso projeto. Caminhando fora de quadra como dentro de quadra. Eles [diretoria] não conseguiram recursos para viabilizar o time e vão montar a equipe de acordo com os limites. Ainda não têm patrocinador e não posso esperar”, lamenta.

O técnico lembra dos sacrifícios desta temporada. “Este foi um ano de parceria. A torcida, todos contribuíram para a manuntenção da equipe, que vinha de um título [Nacional]. Mas as limitações [na próxima temporada] vão ser maiores. Mais um ano assim não dá”, pondera.

O diretor do Bauru Basquete, Vinícius Coube, endossou as palavras do técnico. “Não temos condição nem de fazer uma proposta ao Guerrinha e então resolvemos liberá-lo para não ficar retendo-o aqui enquanto ele tem outras propostas. Na última temporada, ele já acertou redução de seu salário”, lembra. “Vamos continuar trabalhando e já estamos pensando em um substituto, que ainda não posso revelar.”

De malas prontas, Guerrinha não se esquece de agradecer a todos que participaram de seu trabalho. “Agradeço ao Caio [Coube] e família, ao [Wagner] Jacob e à torcida por esses cinco anos. Foi mais que um relacionamento profissional, foi uma amizade. Sempre me respeitaram muito. Sou muito grato também à cidade de Bauru, foram cinco anos de emoções.”

Sobre o futuro, Guerrinha revela que Campos pode ser mesmo seu destino. “Vou a Campos analisar o projeto deles. Ainda não falei em parte financeira, mas já me garantiram que salário não é problema. Vou avaliar propostas [mais dois clubes estariam interessados em Guerrinha] e semana que vem eu decido”, afirma.

O técnico admite que pretende levar alguns jogadores do Bauru para seu novo clube. “Gostaria de contar com o Felipe e o Rodrigo. São dois garotos que eu trouxe para cá. Na verdade, gostaria de contar com todos, o Brasília... Mas no caso de Campos, eles já têm pivôs, então fica mais difícil [Felipe e Rodrigo são alas]”, afirma, mostrando que um acordo com o time carioca é quase certo.

Guerrinha, no entanto, deixa um fio de esperança. Como não fechou contrato com o Campos ainda, torce por uma reviravolta em Bauru. “Pode ser que o Bauru consiga fechar um patrocínio master. Minha vontade é ficar”, torce. O certo é que, depois de 360 jogos, com 70% de vitórias, Guerrinha se despede da equipe que ajudou a formar. Vai fazer falta.

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