Bairros

Sem campanha oficial, grupo sai às ruas para pedir roupas

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Com as temperaturas em queda - ontem fez 8,4 graus em Bauru - e sem saber se a prefeitura vai organizar campanha do agasalho neste ano, um grupo de moradores da Pousada da Esperança vai pedir roupas de casa em casa no Jardim Bela Vista para atender a população carente do bairro.

Natalino David da Silva, presidente da Associação de Moradores da Pousada da Esperança 1 e 2, estima que pelo menos 500 pessoas dos dois bairros precisam de doações neste inverno. “É uma região carente, principalmente a Pousada 2, onde muitos estão desempregados. Tem família com seis filhos, por exemplo, que não tem a menor condição de comprar um agasalho”, conta.

Por isso, no próximo dia 18, oito voluntárias vão pedir doações na Bela Vista. “Um grupo de mulheres vai pedir agasalhos de casa em casa e depois vamos distribuir as doações entre as famílias necessitadas. Estamos contando com a parceria da Polícia Militar, que vai fazer o transporte das voluntárias”, diz.

A campanha da associação de moradores conta com a ajuda da Polícia Militar, que além de transportar as voluntárias e as doações coletadas, também está arrecadando agasalhos. “Temos uma boa quantidade de roupas guardada, doada por familiares de policiais e pela comunidade em geral, que vamos distribuir nas favelas e bolsões de pobreza da área leste agora no inverno”, diz o tenente Alessandro Rosseto da Silva, comandante da Base Comunitária Leste da PM.

Maria Madalena Braz de Oliveira, a Madalena Branca, que está coletando agasalhos para moradores do Ferradura Mirim, conta que já está sendo procurada por famílias carentes. “Já tem gente pedindo roupa de frio. Fui ao Ferradura e uma mulher me disse que os filhos não estão indo à escola por falta de blusa”, diz ela.

Apesar de ter afixado cartazes em vários estabelecimentos comerciais do Jardim Redentor, Madalena afirma que as doações feitas são muito poucas. “Preciso no mínimo de 2 mil peças para atender o Ferradura. Estou contando agora com a ajuda de lojas de São Paulo, que ficaram de doar roupas com defeito”, comenta.

Até ontem à tarde, a assessoria de imprensa da prefeitura não sabia informar se a campanha do agasalho será ou não realizada. Na semana passada, Sandra Scriptore, secretária do Bem-Estar Social (Sebes), explicou que a cada ano, além de cair o número de peças doadas, são coletados menos agasalhos e cobertores, o que a população realmente precisa no inverno. Em anos anteriores, a campanha arrecadava uma média de 100 mil peças de roupa.

Álvaro de Brito, presidente da Comissão Municipal de Defesa Civil, que há dez anos ajuda a organizar a campanha na cidade, confirma que, por enquanto, não há previsão para a coleta de agasalhos. Ele explica que a campanha exige uma grande infra-estrutura, difícil de ser viabilizada com a iniciativa privada. “Em outras cidades, a campanha do agasalho é organizada pelo Fundo de Solidariedade do Município. Bauru, que não criou esse fundo, é mais difícil”, diz.

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Albergue

Apesar da temperatura abaixo dos 10 graus nas últimas noites, não houve aumento significativo na procura por pernoite no Albergue Noturno de Bauru, mantido pelo Centro Espírita Amor e Caridade. Em média, de 35 a 45 pessoas passam a noite no albergue, segundo Rosa Maria Ribeiro Silva, auxiliar de assistência social da entidade.

A maioria dos albergados, segundo ela, são pessoas que estão de passagem por Bauru, normalmente com destino a São Paulo, em busca de emprego. “No inverno sempre aumenta o número de pessoas que procura o albergue, apesar de não ser mais como na época que Bauru tinha trens de passageiro porque a passagem de ônibus é mais cara”, explica.

Além de pernoite, banho e jantar, o albergue fornece roupas e sapatos. “No dia seguinte todos passam pela triagem do serviço social e seguem o destino”, conta Rosa. A entidade só atende mendigos da própria cidade, que não estejam de passagem, em dias muito frios ou situações específicas.

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