Marília - Alunos do câmpus da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Marília (105 quilômetros a Oeste de Bauru) ocuparam nesta semana o espaço da cantina local, com o objetivo de reivindicar a construção de um restaurante universitário (RU). Em Bauru, estudantes estão acampados há duas semanas em uma das salas do câmpus, na luta por moradia.
Segundo a presidente do Diretório Acadêmico da unidade de Marília, Carolina Ramos de Freitas Oliveira, cerca de 60 universitários estão se revezando no local desde a última terça-feira e não há previsão de retirada.
A aluna afirma que a reivindicação pelo restaurante universitário em Marília é antiga, entretanto, tornou-se mais urgente depois da confirmação da criação de quatro novos cursos no local, a partir de julho. “Antes a desculpa deles é que não havia demanda. Que os alunos não utilizariam tanto o restaurante universitário”, afirma.
Outra questão que favoreceu a ocupação, na opinião da aluna, foi o fechamento da cantina do câmpus no último dia 1.º de abril. Freitas afirma que a decisão do proprietário foi tomada depois da pressão realizada pelos alunos, que não se conformariam, segundo ela, com a venda de produtos no local acima dos preços de mercado. O espaço da cantina pertence à Unesp, com concessão de uso autorizada através de licitação.
O restaurante universitário reivindicado pelos alunos, segundo Freitas, seria subsidiado pelo Estado e cobraria preços populares pela refeição. “Os alunos pagariam preços de no máximo R$ 2,00 pelas refeições”, explica.
Além de pleitear o restaurante, a manifestação de Marília, segundo a estudante, também representa uma atitude de solidariedade aos alunos acampados em Bauru e Presidente Prudente, que estão reivindicando moradia estudantil.
Movimento
Freitas explica que o movimento de reivindicação teve início no começo do ano, com a realização de plenárias e a participação de alunos em quatro assembléias gerais. “Aqui em Marília, inclusive, foi lançada uma campanha chamada “comida, educação e arte sob o mesmo teto”, que foi contemplada por todos os câmpus da Unesp e que agora é uma campanha estadual”, comemora.
A decisão de ocupar o espaço da cantina foi decida em uma assembléia realizada no último dia 9 de abril. Segundo a aluna, a reivindicação do restaurante ainda não teve contrapartida da reitoria.
De acordo com o diretor da Faculdade de Filosofia e Ciências do câmpus de Marília, Kester Carrara, a direção local tem apoiado os alunos e pleiteado junto ao reitor a construção do restaurante, já que o mesmo inclui-se em programa de ações administrativas da reitoria, como a construção de moradias e outros auxílios aos estudantes. “A construção do restaurante universitário constitui reivindicação legítima do segmento estudantil”, afirma.
Pauta
Segundo a presidente do Diretório Acadêmico do câmpus de Marília, a pauta de reivindicações dos alunos inclui ainda o aumento de bolsas do Programa de Assistência ao Estudante (PAE) e a troca das bolsas de auxílio moradia por casas de aluguel. “Nós temos moradia estudantil, mas ela não atende a demanda de alunos”, afirma.
Segundo Freitas, o bloco de moradia foi construído para abrigar 64 estudantes mas comporta 105. Atualmente, a unidade está sendo ampliada.
A aluna afirma que o câmpus de Marília tem uma tradição histórica de ocupações. A última mobilização, segundo ela, ocorreu no ano passado e teve cerca de quatro meses de duração.
A Unesp de Marília oferece atualmente cinco cursos de graduação (Fonoaudiologia, Pedagogia, Biblioteconomia, Ciências Sociais e Filosofia), com aproximadamente 1.500 alunos. Em agosto, serão iniciadas as aulas de Fisioterapia, Terapia Ocupacional, Arquivologia e Relações Internacionais, inicialmente com acréscimo de mais 150 alunos.