Comprar um carro é e sempre será motivo de enorme satisfação. Para muitos, significa mais do que a aquisição de um objeto de desejo, representando uma conquista tão importante a ponto de marcar para sempre a vida de uma pessoa.
É o caso do empresário e astrólogo bauruense João Carlos de Almeida, o conhecido e carismático JoãoBidu, que desde pequeno enfrenta, com muita naturalidade e força de vontade, os problemas causados pela deficiência física nas pernas.
Para ele, a experiência de ter um automóvel somada ao fato de ser um portador de necessidades especiais tornou-se um acontecimento indescritível. Seu primeiro veículo foi um Fusca ocre marajó comprado em 1973 na concessionária em 40 prestações fixas. “Adquiri-lo mexeu muito com meu emocional e teve uma representatividade incomparável e difícil de expressá-la”, considera Bidu.
Apesar de ganhar maior liberdade de ir e vir, o empresário teve de superar as dificuldades impostas pelas limitações mercadológicas aos deficientes. Além da minguada oferta de veículos automáticos, que equipavam apenas os importados, também pesava a falta de empresas especializadas em adaptações de veículos para portadores de necessidades especiais.
Para sair da “sinuca de bico” de ter o carro e não poder guiá-lo, Bidu encontrou a solução em um equipamento importado da Alemanha. Este consistia em uma engrenagem no acelerador e outra no freio e já estava adaptado em um veículo de um paraplégico amigo de Bidu. “Conversei com ele e peguei o contato com a empresa fornecedora para adquiri-lo também”, conta ele.
Com o aparelho já em mãos, ainda restava um “pequeno” detalhe: quem o instalaria no Fusca? Para solucionar a questão, o astrólogo apelou para a criatividade de um torneiro mecânico. “Ele era muito inteligente e estudou como seria o funcionamento do equipamento mudando a altura dos pedais”, recorda Bidu.
O mesmo torneiro lhe auxiliou também quando Bidu adquiriu uma Brasília, um ano após o Fusca, e um Passat. “Eles quebraram um galho muito grande até eu comprar meu primeiro automático”, acrescenta ele.
Para ele, não há nem como comparar tal época com a atual em relação às mudanças para os portadores de necessidades especiais. “Foi da água para o vinho. Hoje as montadoras já disponibilizam vários veículos com equipamentos adaptados e transmissões automáticas. Tais mudanças, com bastante atraso diga-se de passagem, têm tudo a ver com o avanço do Brasil e da indústria automobilística.”
Entretanto, ele concorda que ainda falta muito para o acesso a tais automóveis ser mais democratizado, principalmente em relação aos preços. “Muitas pessoas portadoras de deficiência possuem baixo poder aquisitivo e têm mais problemas para comprar um automático novo”, considera o empresário.
Bidu enfatiza que, apesar do mercado dos automáticos estar crescendo a exemplo da oferta de veículos do gênero em bom estado, ainda não há as mesmas vantagens existentes quando se adquire um zero. “O ideal seria que nos seminovos a pessoa contasse com isenções de impostos”, afirma ele.
Lei de Gérson
Atualmente, um aspecto que incomoda e dificulta o dia-a-dia dos portadores de necessidades especiais em Bauru é o desrespeito às vagas de estacionamento exclusivas para deficientes em espaços públicos. Segundo Bidu, o descumprimento à lei (há uma legislação municipal específica a respeito) é flagrante na cidade.
Para o empresário, é lamentável que as pessoas continuem com tal tipo de comportamento. “O brasileiro gosta de levar vantagem em tudo e isso revela nossa falta de compromisso com as leis. Faz parte de nossa cultura e ética. É o jeitinho brasileiro, o mesmo que é bom para determinados assuntos se torna péssimo defeito em outros”, define Bidu.
Entretanto, o astrólogo afirma que nunca chegou a brigar por causa de uma vaga especial. Mas, ao enfrentar situações constrangedoras, já tem sua receita. “Dou aquela olhada para ver se a pessoa se manca e ver que está pisando na bola”, revela ele.
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Perfil
Nome João Carlos de Almeida
Idade 55 anos
Hobby Assistir futebol
Time do coração
“Ainda é o São Paulo, ainda, hein. Atualmente, é um time que nunca conquista nada, começa uma maravilha e chega mal. Parece que não tem carisma e está deixando muito a desejar. Não é aquele São Paulo dos meus tempos de criança que era um time de chegada.”
Signo Escorpião
Você se definiria como um típico escorpiano?
“Sim. Sou tímido como todo escorpiano, mas acho que também tenho algo de misterioso, uma grande força de vontade e capacidade transformadora. Além das qualidades, também tenho muitas características de Câncer, que é meu ascendente, pois acho que sou mais terno e humilde.”
Cores preferidas
“Vermelho por ser a cor do meu signo e azul porque sinto uma grande atração.”
Um cantor Djavan
Uma atriz Fernanda Montenegro
Um ator Raul Cortez
Lugar bonito para passear Gramado e Serra Gaúcha
Com características de quais signos o motorista bauruense se encaixa?
“Seria Áries, que é impetuoso e desatento. Mas o ideal seria ser mais virginiano, uma pessoa que é apegada a detalhes e disciplinada. As mulheres têm mais esse lado e acho-as muito mais atentas que os homens, embora a gente reclame delas. De um modo geral ficou essa conotação de que mulher dirige mal, mas se for analisar bem são mais cuidadosas e atenciosas que os homens.”
Que nota você daria para o motorista bauruense?
“Vou ser bonzinho e dar um sete.”
O que mais lhe irrita no trânsito em Bauru?
“Não me irrito muito porque acho o trânsito de Bauru muito folgado e tranqüilo se comparado com grandes cidades, como São Paulo. Tirando os horários de pico, qualquer um dirige nele. Mas é um pouco complicado, pois a gente, não só o motorista bauruense, não gosta de respeitar sinais. Você dá o sinal para conversão e o cara que está atrás acha que é depois dele que você vai entrar à direita ou à esquerda. Já os buracos não são problema do trânsito e sim da Prefeitura. É lamentável, pois os carros estão sofrendo bastante e não sei se a Prefeitura está tomando as providências com a rapidez que se exige.”
Para quem você nunca daria carona no seu carro?
“Antonio Carlos Magalhães, por tudo o que ele tem feito e fez. Para a Bahia ele pode ser maravilhoso por tudo que ele conseguiu, mas para o resto do Brasil os valores éticos e morais dele estão fora do contexto e já deu o que tinha que dar. Lamentável que agora o Senado aplique esse tapetão tentando salvar a pele dele.”
E para quem você faria questão de dar carona?
“Para todas aquelas pessoas que acreditam no Brasil e que tenham algum tipo de atuação que possam redundar em melhorias para nossa sociedade.”