Geral

Evento discute homem contemporâneo

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

Profissionais de diferentes áreas se reúnem em julho para debater problemas que afetam a vida diária do homem contemporâneo. Trata-se da 2.ª Jornada de Psicologia Junguiana de Bauru e Região e 7.ª Mostra de Pesquisas do curso de técnicas terapêuticas junguianas (de Carl Gustav Jung).

De acordo com a coordenadora do evento, psicóloga junguiana Regina Furigo, um dos principais objetivos da jornada é estender à comunidade discussões que costumam ficar restritas aos estudiosos e pesquisadores.

“Vamos abordar temas contemporâneos como globalização, ansiedade, relacionamentos, ecologia, religião, envelhecimento. A maioria das pessoas não chega a procurar um consultório, mas todos passam por situações difíceis”, destaca.

Segundo ela, a idéia da jornada surgiu de um grupo de psicólogos aficionados pelos conceitos de Carl Gustav Jung. Os profissionais se juntaram há cerca de 12 anos para dar continuidade aos estudos. Eles se reúnem regularmente em “congressinhos” para trocar informações e experiências. Em 2001, o grupo decidiu levar seus conhecimentos para um público maior e criou a jornada. O resultado da primeira motivou a realização desta segunda.

“Nós defendemos que para entender o homem contemporâneo não podemos ficar restritos à psicologia. Então, para essa jornada, compusemos um grupo interdisciplinar, que inclui historiadores mitólogos, psicólogos, médicos e até jornalistas, porque nós consideramos a mídia como facilitadora de transmissão de conhecimentos e atualização”, observa.

Regina salienta que o grupo quer mostrar que a psicologia junguiana não é restrita ao consultório. Ela pode ser aplicada em grupos, empresas e vários outros ambientes e situações. “Por isso, os debates podem ser acompanhados por toda a sociedade, mesmo quem não conhece nada de Jung”, afirma.

Para isso, palestrantes, conferencistas e debatedores preparam-se para abordar os temas de maneira simples, traduzindo termos técnicos para a linguagem cotidiana. “Nosso interesse é que as pessoas aprendam os conceitos junguianos. Então, haverá espaço para bate-papos e todos os participantes terão oportunidade de trocar informações e manter contato com os conferencistas”, garante Regina.

Entre os temas da jornada de maior destaque, a coordenadora cita as principais repercussões da globalização, na qual todos os cidadãos estão inseridos; os sentimentos de inveja e ciúme que têm transformado os relacionamentos em campos de guerra.

“Temos também temas mais recentes, como a psicologia do esporte. Até há bem pouco tempo, todos pensavam que bastava jogar. Hoje sabemos que existe um fenômeno de grupo e que a relação da equipe precisa ser intermediada. E falaremos de neurociência - um ramo de estudos que está comprovando cientificamente conceitos que já eram defendidos pelos pioneiros da psicologia”, descreve.

Além das discussões, os participantes poderão visitar a exposição fotográfica “Índia: impressões”, por Eduardo Franciscato. Também durante o evento a jornalista Cristina Rodrigues Franciscato lançará seu livro “Eurípedes-Héracles”. Confira a programação completa da jornada no quadro abaixo.

Quem foi Jung

Carl Gustav Jung nasceu em 1875 em Kesswill, na Suíça. Formou-se em medicina e especializou-se em psiquiatria, ciência em formação. O interesse pelos distúrbios mentais o fez desenvolver profundos estudos sobre a mente, e suas conclusões o aproximam de Freud, em 1907.

O já famoso psicanalista judeu-austríaco é “persona non grata” no meio universitário e enfrenta dificuldades para ter levadas a sério suas idéias sobre o inconsciente. Freud logo reconhece o alto valor do suíço e vê nele, no não-judeu, a cabeça ideal para levar adiante a psicanálise.

Jung, chefe de clínica do famoso hospital psiquiátrico de Zurique, mesmo ciente dos riscos que corre sua carreira e vendo limitações comprometedoras nas teorias do mestre vienense, toma defesa de Freud em público e assim tornam-se colaboradores.

Seus estudos, porém, levam-no a divergir da psicanálise, e a dolorosa ruptura acontece em 1912. Freud sente-se traído. E Jung vê-se em apuros, pois conhecidos e amigos o abandonam. Inicia-se aí o período mais difícil e delicado de sua vida, quando ele abandona as atividades acadêmicas e parte para um solitário, terrível e decisivo confronto com o inconsciente - que levará anos e quase lhe será fatal.

Mas ele emerge dessa fase revigorado e prossegue, mesmo consciente que dificilmente a mentalidade científico-ocidental levará a sério coisas como inconsciente coletivo, mitologia e alquimia - para ele, fundamentais na compreensão de certos processos psíquicos. Morre aos 86 anos, em 1961, deixando uma instigante obra, ainda hoje revolucionária.

Fonte: Vera Borges de Carvalho, psicóloga

Comentários

Comentários