Piratininga – A concentração de jovens durante o período noturno na praça da Igreja Matriz de Piratininga (15 quilômetros a Sudoeste de Bauru) tem sido motivo de polêmica na pacata cidade de 10 mil habitantes.
Moradores vizinhos reclamam da movimentação, do barulho e sujeira no local e denunciam o aumento da violência. Por sua vez, jovens freqüentadores da praça reiteram o direito de permanecer no espaço público, que se firmou desde o ano passado como o principal ponto de encontro na cidade, especialmente nos finais de semana.
A polêmica foi acalorada depois que o prefeito da cidade, Odail Falqueiro (PFL) revelou a intenção de realizar um projeto de adequação da infra-estrutura da praça para atender à demanda dos jovens.
Em outubro do ano passado, a agitação noturna da área chegou a gerar um abaixo-assinado por parte dos moradores, que contou com a adesão de cerca de 400 pessoas, segundo a organizadora do movimento, Lúcia de Carvalho Fabro, 56 anos.
A moradora relata que o documento foi encaminhado à delegacia, Prefeitura, Câmara Municipal, Promotoria, entre outros órgãos públicos da cidade, mas não surtiu efeito. Lúcia, que mora em frente à praça, afirma que o local tem sido palco de atos de violência, sexo, consumo de drogas e disputas de racha. “Cada dia que passa está piorandoâ€, declarou.
Além disso, segundo ela, o som alto dos carros estaria sendo motivo de desassossego principalmente para os moradores mais idosos, que seriam maioria na vizinhança.
Roberto Braga, 66 anos, afirma que por conta da movimentação está sendo motivado a dormir na casa de parentes em Bauru todos os finais de semana. “Estou indo porque eu não consigo dormir aqui por causa do barulho.†Braga é morador vizinho da praça há 20 anos e afirma que nunca havia sofrido situação semelhante na cidade.
Segundo ele, a última administração municipal construiu toda uma infra-estrutura na Praça do Turista, com o objetivo de abrigar os jovens. Entretanto, os freqüentadores do antigo reduto foram migrando para a praça da matriz. Atualmente, ele afirma que nos finais de semana cerca de cinco barracas funcionariam no local e o movimento se estenderia madrugada adentro.
A também moradora vizinha da praça, Glaucia Franco Borro de Matos, 57 anos, afirma que o estresse provocado pela agitação tem abalado inclusive sua saúde. “Eu fiquei diabética por causa de nervoso. Eu tenho pressão muito alta.†Glaucia, que já registrou cerca de cinco boletins de ocorrência para tentar solucionar o problema, afirma que os freqüentadores da praça não têm respeitado com a lei do silêncio .
Para Eunice Aparecida Gaza, 57 anos, o grande incômodo está no fato do movimento estar concentrado em frente à igreja, o que estaria prejudicando a realização das missas. “O barulho é grande nas horas das celebrações, não é sempre que se respeita os horários de missa.â€
Eunice reclama ainda da sujeira espalhada pelo local depois dos fins de semana. â€œÉ caco de garrafa, sujeira, restos de copo, uma imundície. Sem falar em outras coisas, como xixi e camisinhas pelos cantos. Isso prejudica o movimento da paróquiaâ€, afirma. A reportagem não conseguiu entrar em contato com o padre responsável pela igreja para ouvir o seu posicionamento.
Outro lado
No outro extremo desse cabo de guerra estão os jovens, que elegeram o local como o principal espaço de entretenimento nas noites dos finais de semana.
Para Fernando Monari, 21 anos, os freqüentadores não provocam desordem e estão no direito de se divertir num espaço público. “Nós não estamos badernando. De vez em quando sai uma briga, mas em geral é tranqüilo.â€
Segundo a freqüentadora da praça Cilene Maria Cavalini, 18 anos, a lei do silêncio realmente não tem sido respeitada, mas o local não é violento. Ela aprova a intenção do projeto do prefeito de melhorar a infra-estrutura da praça para atender os jovens. “Ali é o local onde todo mundo vai e se encontra para se divertir.â€
Na opinião de Ulisses Segantin, os moradores que vivem próximo a esse ponto de encontro, localizado no centro da cidade, precisam se acostumar com a presença dos jovens. “O movimento é ali no centro mesmo e quem mora lá tem que se acostumar com isso.â€
Segundo Elaine da Silva Paloco, 18 anos, freqüentadora assídua da praça, os jovens da cidade não possuem outra opção. “Esse é o único lugar que o pessoal tem para sair aqui em Piratininga, cidade pequena, do Interior.â€
Ela afirma que existem casos isolados de violência no local, mas considera o fato natural em pontos de grande concentração de pessoas. Elaine aponta como possível solução para o problema um maior policiamento no local.
Violência
No último final de semana, a polícia de Piratininga registrou na praça da Igreja Matriz uma ocorrência de lesão corporal, na qual duas pessoas da cidade foram feridas a faca. Segundo o delegado titular da cidade, Francisco Bromati Filho, as vítimas foram medicadas e estão fora de risco.
O delegado afirma que o fato foi isolado e não são freqüentes os registros de ocorrências violentas na praça. Além desse caso específico, a polícia registrou há dois meses um boletim de disparo de arma de fogo.
Bromati afirma conhecer o problema dos moradores da vizinhança e disse que a polícia tem realizado fiscalizações constantes no local. “Dentro do possível nós estamos aumentando a fiscalização, mas a reunião nós não temos como proibir, é um local público.â€
Prefeito pensa em construir um calçadão para atender os jovens
Piratininga – Longe de uma solução, a polêmica da praça da Igreja Matriz, em Piratininga, foi acalorada depois que o prefeito da cidade, Odail Falqueiro (PFL), expressou sua intenção de criar uma infra-estrutura no local para atender os jovens.
Segundo Falqueiro, o projeto está pronto, mas não há previsão de execução e o orçamento da obra ainda está sendo estudado.
O prefeito explica que, entre as reformas previstas no projeto, está a criação de um calçadão que impediria o trânsito em frente à praça, além da construção de canteiros de flores, um palco para apresentações, banheiros e quiosques, que acomodariam quatro lanchonetes.
Para o prefeito, a praça é pública e os jovens têm o direito de freqüentá-la. Segundo ele, o projeto de melhoria da infra-estrutura seria positivo porque organizaria o local. “Já que é um ponto que naturalmente o jovem fica, nada mais lógico do que você tentar melhorá-lo.â€
Em relação ao abaixo-assinado dos moradores, o prefeito afirma que houve reflexos das autoridades, como uma maior atenção por parte da polícia e dos fiscais da prefeitura no local. No que diz respeito ao projeto, Falqueiro afirma que ele está aberto para discussões com a comunidade.
Sem dormir
Para a moradora Lúcia Carvalho Fabro, a possibilidade da viabilização do projeto tem tirado o sono dos moradores. “Agora, para desespero dos moradores, o prefeito fez um projeto de fazer lanchonete no meio da rua e interditar as duas ruas na frente da nossa igreja e fazer um palco de música ao vivo.â€
Segundo ela, a solução para o problema seria a reativação da Praça do Turista, que já possuiria infra-estrutura para abrigar os jovens.