Regional

Fundadores retomam PSDB de Itapu

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

Itapuí - Após oito anos fora do partido, antigos fundadores do PSDB de Itapuí (50 quilômetros a Leste de Bauru) retornaram ao ninho tucano. A volta só foi possível graças a destituição do diretório anterior. Com a mudança, o partido deve perder dois dos quatro vereadores que possui e passará a fazer oposição ao prefeito Sylvio de Almeida Prado Rocchi.

Embora tenha preenchido ficha de filiação ao PSDB, Rocchi ainda não está oficialmente ligado ao partido.

Segundo informou o atual presidente da legenda e um dos fundadores do PSDB, em Itapuí, José Eduardo Amantini, a decisão foi tomada porque o prefeito estaria “falhando no setor social do município”.

Para Sylvio Rocchi, a atitude do novo presidente foi um erro. â€œÉ um absurdo ele declarar oposição a um prefeito do PSDB.” Segundo ele, decisões como essa irão trazer sérios problemas ao partido. “Isso vai acabar rachando o partido. Muita gente vai sair e o PSDB vai ficar cada vez menor”, prevê.

De acordo com Amantini, a preocupação maior do novo diretório não é com a quantidade de filiados, mas com a qualidade do grupo. “Nós queremos pessoas que venham a somar com a gente, que arregacem as mangas e lutem para pôr em prática os ideais do partido”, disse.

Atualmente, o PSDB conta com 109 filiados. Desse total, Amantini acredita que 20 deverão deixar o partido. Entre eles, estariam os vereadores Airton Grimaldi e Valdir Maia.

O primeiro realmente confirma a intenção de sair do PSDB e migrar para um outro partido. Grimaldi deve ir para o PT, segundo apurou a reportagem.

Já Valdir Maia declarou que continuará no partido. “Só saio se a executiva estadual me afastar. Caso contrário, continuo onde estou”, afirmou.

Apesar da determinação do partido, em nível local de fazer oposição ao atual prefeito, Maia garantiu que continuará dando apoio a Sylvio Rocchi quando for preciso.

“Sempre que ele apresentar algo importante para o município vou votar a favor. Caso contrário, voto contra. Não faço oposição pela oposição, mas apenas quando vejo coisas erradas. Na minha opinião, é assim que o partido deveria agir”, sugeriu Maia.

Antes da destituição da antiga executiva, publicada no Diário Oficial do Estado no último dia 7 de abril, Maia era quem tomava as decisões dentro do partido.

Há dois anos, ele foi eleito presidente do diretório municipal, mas a convenção não foi registrada oficialmente nas instâncias superiores do partido.

Por esse motivo, a eleição ficou sem efeito e a executiva acabou destituída pela direção estadual do partido.

Segundo Maia, o registro não foi feito por puro comodismo. “Como, na época, eu não tinha interesse em continuar no PSDB não me preocupei com isso”, contou.

Os outros dois vereadores do PSDB em Itapuí são Antônio Guarnieri Sobrinho e Silene Valini.

A exemplo de Maia, a vereadora Silene também não apóia a oposição gratuita. “O (projeto) que for bom para o povo terá o meu voto”, garantiu.

Para Amantini, o retorno ao partido é “uma questão de justiça”. Ele também fazia parte do grupo que deixou o PSDB em 1995.

Na época, a executiva foi destituída sob acusação de dar apoio demasiado ao PMDB de Orestes Quércia.

De volta à legenda, Amantini trouxe consigo 25 novos filiados. A maioria procedente do PDT, onde também estava filiado.

Itapuí foi uma das poucas cidades da região onde o PSDB perdeu os dois turnos da eleição do ano passado para o PT. Isso, segundo Amantini, também deve ter pesado na hora do partido optar pela destituição da antiga executiva.

Mesmo a 17 meses das eleições municipais, ele garante que o partido terá candidato próprio concorrendo à prefeitura. Até lá, ele espera criar dentro do PSDB local a ala da juventude e da mulher, como pede o estatuto do partido.

Na gaveta

Embora esteja oficialmente sem partido, o prefeito Sylvio Rocchi pretende “permanecer” no PSDB.

Ele contou que assinou a ficha de filiação e encaminhou-a ao diretório regional, em Jaú. De lá, a ficha deveria ser encaminhada ao diretório estadual para homologação.

No entanto, esse trâmite foi interrompido em Jaú. A ficha do prefeito ficou engavetada e hoje ele está sem partido.

Rocchi diz desconhecer o motivo que levou o diretório regional a agir desta forma. Para o vereador Maia, foi por pura “sacanagem”.

A reportagem tentou entrar em contato com o presidente do diretório de Jaú, Antônio Aparecido Serra, mas não obteve retorno até o início da noite de ontem.

“Eu me considero filiado ao partido. Minha ficha foi entregue. Agora, o que eles fizeram com ela eu não sei”, disse Rocchi.

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