A ideologia e a educação são fundamentais no comportamento humano. Uma anda de mãos dadas com a outra e às vezes inconscientemente nós somos manipulados pelas duas e cometemos erros, avaliações precipitadas, injustiças e preconceitos. Nesta semana em que se discute, mas não comemora o 13 de maio, é importante mostrar aos queridos leitores e colaboradores da Tribuna do Leitor deste conceituadíssimo Jornal da Cidade a existência de uma ideologia educacional que há séculos vai passando de geração em geração, a de que tudo que é preto ou negro é sinônimo de mal, trapaça ou crime. Aliás, este acontecimento ocorre no mundo, mas no Brasil se aperfeiçoou conforme nossos costumes e tradição. E por causa de tal ideologia educacional o racismo se perpetua e, pior, faz negros inconscientes e mal-informados fugirem da própria cor ou discriminar a própria raça.
Vamos ver alguns exemplos desta maléfica ideologia: 1.º) Lista negra - é aonde se anota pessoas que infringem as regras de determinados lugares. 2.º) Serviço de preto - esta denominação é dada para atividades ou serviços que saíram errado. No entanto, todos nós erramos às vezes na vida, independente de sermos brancos, pretos, vermelhos ou amarelos. Por que só o preto paga o pato? 3.º) Boi da cara preta - na lenda folclórica é o nome ou apelido do bovino que persegue as criancinhas com medo de careta. 4.º) Mancha Negra - é um personagem do gibi do Walt Disney que só pratica criminalidade. O coronel Cintra que persegue o Mancha Negra é tido como trapalhão e é interessante o fato de ele ser gordo. Ou seja, preconceito contra os negros e os obesos. 5.º) A coisa está preta - ideologicamente significa que os acontecimentos não estão caminhando bem. 6.º) Cascão - personagem do gibi do Maurício. O Cascão é o único da turminha que não gosta de tomar banhos. É público e notório que os seus cabelos são os mesmos dos componentes da raça negra. Nesta mesma história em quadrinhos a Mônica sofre preconceito, somente por ser mulher e não admitir a submissão aos homens. Faz do seu coelhinho a espada da Joana D’Arc. 7.º) Câmbio negro - operações no paralelo geralmente ilícitas. 8.º) Quadro-negro - geralmente são as lousas e quem dá a cor e as letras pra elas é o giz, todos brancos. Também pode-se considerar que é o presságio de algum mal que se aproxima. 9.º) Saci-pererê - um menino negro com uma perna só fazendo trapaças e confusões. O gorro vermelho significa preconceito contra os comunistas. A falta de uma perna nada mais é do que preconceito contra os deficientes. 10.º) Viúva-negra - geralmente são aquelas que perderam seus maridos e desabafam o seu descontentamento psicológico fazendo o mal a outros pretendentes. Chegando até a matar, para obterem ganhos materiais. 11.º) Bicho-papão - era o bichão preto que ia comer as criancinhas. No entanto, o tempo vem nos mostrando que quem era chegado em criancinhas não eram os comunistas e nem o bicho-papão e sim alguns... bom, acho melhor ficar quieto. 12.º) Mula sem cabeça - nos livros infantis era bem pretinha e assombrava e afugentava os outros. Soltava fogo pelo pescoço. Taí um exemplo nítido de ideologia afirmando que preto não pensava. 13.º) Negão da arapuca - dispenso qualquer tipo de comentários. 14.º) Humor negro - um humor sem graça nenhuma e totalmente prejudicial. 15.º) Dia de branco - na linguagem popular significa dia de trabalhar. Porém, todos trabalham independente de serem brancos, pretos, amarelos, pardos ou vermelhos. 16.º) Magia negra - a iniciativa de fazer o mal para outros. Diferentemente da magia branca, cuja simbologia espiritual significa o bem.
Vejam, senhores, com alguns exemplos deu para perceber que a ideologia educacional torna muita gente com preconceito, embora de forma inconsciente. Entretanto, há aqueles que são por pura convicção. Enquanto esta ideologia perdurar e o Ministério da Educação não mudar os livros da educação (o sr. Cristóvão Buarque filosofa demais e não está praticando nada), o preconceito vai continuar. Ao contrário de muitos negros que ao subirem na vida viram Michael Jacksons, tenho orgulho de minha raça e acho que todos devem se orgulhar das suas. E todos nós, brancos, pretos, pardos, vermelhos e amarelos devemos lutar por uma sociedade aonde todos são avaliados pelo caráter e não pela conta bancária ou cor da pele.
PS - A senadora Heloísa Helena virou a mais nova fada madrinha dos marajás nacionais. E se o governador Alckmin deixar a TV Cultura sair fora do ar por causa de verbas atrasadas, estará colaborando com o processo de imbecilização das massas praticado pelas outras emissoras. (Pedro Valentim - RG 19.198.011-0)