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Sacrifício pela pós-graduação vale a pena

Luly Zonta
| Tempo de leitura: 3 min

A busca de aperfeiçoamento na carreira exige muito mais do que vontade de aprender e enriquecer o currículo. É preciso, antes de mais nada, disposição para enfrentar horas de viagem, noites mal dormidas, quartos de hotel ou pensão, táxis, ônibus, muitos livros e papéis, diferenças de temperatura, além de conseguir driblar a agenda profissional.

Hoje em Bauru quase 2 mil profissionais que se dividem entre os cursos de especialização, mestrado e doutorado nas instituições públicas e privadas que a cidade abriga desde 1970, quando a Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (USP) iniciou seu programa de pós-graduação. Em 1975, a Fundação Educacional de Bauru iniciaria as turmas avançadas de engenharia e em 1978, a Instituição Toledo de Ensino (ITE) começaria as especializações em direito e economia. No ano passado, as faculdades de comunicação da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Universidade do Sagrado Coração (USC) lançaram novas linhas de pesquisa.

Encarando o desafio do mestrado em Comunicação Midiática, recém-oferecido pela Unesp, as jornalistas Cláudia Zwarg, 24 anos, de Campo Grande (MS) e Denise Paro, 33 anos, de Foz do Iguaçú (PR), passam duas noites por semana dentro de um ônibus e uma noite em hotel para alavancar a carreira e agregar valor pessoal e ao currículo.

Cláudia tem dois empregos em Campo Grande (MS): é funcionária da TV Educativa e dá aulas em uma universidade, e é dispensada das atividades para vir estudar. Já Denise teve que abrir mão do emprego em uma sucursal de jornal onde cobria Brasil, Paraguai e Argentina e trabalha como free-lancer para poder dar um “up grade” na carreira.

“Sentia falta de uma visão mais crítica do dia-a-dia e resolvi investir no sacrifício pela busca do conhecimento. E espero dar um retorno à sociedade do trabalho que estou desenvolvendo na universidade pública”, afirma.

Elas fazem uma crítica que apesar das exigências, o mercado de trabalho não está preparado para a volta do profissional aos estudos. Em alguns casos são feitos acordos de dispensa, mas na maioria o profissional acaba sendo demitido.

A jornalista Cláudia aponta que mesmo com a liminar que não exige diploma para o exercício da profissão de jornalista, o mercado exige a especialização e a qualidade do profissional. “Qualquer um pode ser jornalista, mas todos eles serão bons. Para um jornal fuleiro é fácil contratar qualquer um, mas um veículo com um pouco mais de discernimento não vai fazer isso.”

Por isso, elas apontam que em qualquer profissão é necessário o desenvolvimento acadêmico paralelo ao exercício das atividades e por isso, vale a pena qualquer sacrifício. Mas com habilidade de eternos estudantes, acaba-se dando um jeitinho e em pouco tempo a maioria dos alunos de pós, entra num esquema de sociedade com diversos profissionais: taxistas, motoristas de ônibus, porteiros, criam alternativas para dormir ou estudar durante a viagem e até trabalham em horários alternativos.

Entretanto, uma crítica é constante: as universidades não facilitam a vida dos viajantes, pois as disciplinas são marcadas em dias e horários diferentes, de acordo com os professores e não com os alunos. “Eles não concentram as disciplinas de uma linha de pesquisa num mesmo dia ou numa noite ou manhã seguinte. Não podemos fazer todas as disciplinas e, com isso, o curso se estende ainda mais e temos prazo para tudo”, comenta.

Outro ponto são as bolsas de estudo em número reduzido e que acabam privilegiando alunos que moram na cidade ou se transferem para cá.

Mesmo com tanto esforço, as mestrandas afirmam que vale a pena cada centavo gasto e cada minuto de insônia.

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