Bairros

Instalação elétrica requer atenção

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 4 min

Embora, geralmente, estejam escondidas atrás de paredes e forros, as instalações elétricas não devem ser esquecidas pelos moradores ou responsáveis por imóveis.

A negligência na parte elétrica de prédios e casas é responsável por queima de aparelhos elétricos e até incêndios.

De acordo com o eletricista Eduardo Lanzetti, a simples instalação de uma tomada de forma errada pode ser responsável por grandes estragos.

“Há negligência. As pessoas não dão muita importância à parte elétrica. Elas reformam tudo - trocam portas, janelas, telhado, compram móveis novos. Mas a parte elétrica elas deixam como está”, afirma Lanzetti.

O profissional enfatiza que são raros os clientes que solicitam revisão preventiva. “É muito difícil. Eles não ligam. As pessoas chamam quando a fiação já apresenta problemas. A manutenção preventiva eles não fazem nunca”, diz.

Lanzetti explica que a manutenção periódica é importante para evitar a queima de equipamentos e da própria instalação elétrica.

Quando um fio está mal dimensionado, ele pode queimar e o disjuntor, neste caso, não funciona. “É um problema comum. Eles colocam um fio que suporta no máximo 20 amperes e colocam um disjuntor de 30 amperes. Conclusão: derrete-se o fio e pega fogo”, explica.

Para cada bitola (diâmetro) de fio, deve haver um tipo de disjuntor. Portanto, é necessário um disjuntor para o chuveiro (exclusivo), outro para a iluminação, outro para as tomadas, ar-condicionado, e assim por diante.

Com o objetivo de economizar na manutenção, muitas pessoas colocam tudo num circuito só, gerando problemas.

“Isso aí não tem como funcionar. Uma vez bem feita a parte elétrica, ela é para sempre. O desgaste é muito pouco. Não é numa geração que vai se trocar os fios”, garante o eletricista.

Outro fato comum são problemas elétricos após reforma da casa. Os moradores trocam lustres, instalam mais aparelhos, como ventiladores, mas não adequam a fiação. “Sobrecarrega e depois pega fogo. Em 90% dos incêndios de Bauru há suspeitas da parte elétrica”, calcula Lanzetti.

Ele orienta a população a procurar informações sobre o eletricista a ser contratado, que deve ter formação técnica. Muitos, segundo Lanzetti, cobram mais barato porque não fazem o serviço completo.

Fiação antiga

O eletricista Ademar Martins confirma a importância de adaptar o quadro de distribuição para novas necessidades após ampliação de casas. “A ampliação da casa altera carga para a qual a instalação foi projetada. Em Bauru, quase todas as residências têm as instalações mal dimensionadas”, afirma.

Outra característica freqüente em casas antigas são fios encapados com pano, que já não existem mais no comércio e são considerados perigosos. “É uma coisa bastante arcaica”, expõe Martins.

Ele aconselha as pessoas a indicar a voltagem de cada tomada nos espelhos. Ajuda a evitar queima de eletrodomésticos. “Existem plaquetinhas indicativas que normalmente ninguém põe”, observa.

Na opinião de Martins, falta bom senso por parte de muitos clientes, que não aceitam as recomendações feitas pelo profissional devido ao preço alto. “Normalmente, só lembram do eletricista na hora do problema. Como fica embutido na parede, a pessoa não se icomoda muito. Ela quer saber muito de aparência externa”, critica.

O eletricista Nivaldo Pardal diz que o principal perigo está nas pessoas que tentam fazer a própria manutenção sem conhecimento técnico. “Na troca de disjuntores, colocam outros de capacidade inadequada. Dá superaquecimento e pode pegar fogo ou queimar a instalação”, explica.

O técnico em elétrica Jamil Braga diz que em estabelecimentos comerciais geralmente os funcionários são solicitados para mexer na parte elétrica. “Só chamam um técnico quando problema já aumentou”, diz.

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República

Uma república localizada na rua Benjamin Constant, no Centro, ilustra bem a questão das instalações antigas que representam perigo constante para os moradores.

Os fios ainda são de pano e na caixa de distribuição é possível ver as velhas peças. Além disso, há fios quebrados. “O chuveiro deu problema porque alguma parte da instalação rompeu. Como se um circuito tivesse desaparecido da casa”, explica uma das moradoras, que preferiu não ser identificada.

O eletricista foi acionado para reinstalar o chuveiro, mas seria necessário trocar toda a fiação da casa para fazer um bom serviço sem riscos.

O serviço todo custaria cerca de R$ 2 mil. Os moradores da casa resolveram não mexer e ficar com a fiação velha e o chuveiro frio. “A gente teria que pagar uma grana para trocar porque a situação é crítica”, explica a estudante.

Os estudantes não têm medo de um eventual incêndio? “Nossa, a gente tem medo sim. Mas é uma casa tão velha que a imobiliária não tem interesse em trocar a fiação”, justifica.

Eles estão cientes do problema e torcem para que nenhuma eventualidade aconteça. “Se der um curto-circuito, a casa toda pode pegar fogo”, imagina a moradora.

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