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Dor e saudade marcam o Dia das Mães de muitos filhos em Bauru

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Para uma parte da população, o Dia das Mães, comemorado ontem, não trouxe apenas momentos alegres. A saudade e o sentimento de perda também acompanharam aqueles que não puderam dar um abraço apertado nem mesmo falar com a mãe.

Enquanto muitos filhos se preocupavam com a entrega de presentes e com um almoço especial, outros acordaram cedo e foram prestar homenagem à memória daquelas que lhes deram a vida.

O cemitério da Saudade, no Centro da cidade, esteve cheio ontem, principalmente na parte da manhã. Filhos, netos e bisnetos carregavam flores e, depois de depositá-las nos vasos, permaneciam parados por alguns instantes em frente ou ao lado dos túmulos.

Na mente, recordações de momentos felizes vividos ao lado da mãe, que já não está mais presente fisicamente.

Entre os visitantes, reinava um misto de tristeza pela perda e de alegria pelo fato de ter vivido ao lado de uma “grande pessoa”.

â€œÉ uma saudade doída, mas mesmo assim fico feliz por saber que mãe maravilhosa eu tive”, comentou Tereza Guedes Guimarães, 63 anos.

Ela também é mãe e garante que isso ajuda a tornar o dia ainda mais alegre.

O cartorário Washington Batista, 57 anos, também esteve no cemitério, ontem de manhã. A exemplo de Tereza, ele também não encara o Dia das Mães como uma data que traz recordações dolorosas.

“Minha mãe nunca vai morrer”, afirmou ele, enquanto reverenciava o túmulo à sua frente.

“Materialmente, ela não existe mais. Mas sempre estará em minha lembrança e no meu coração”, disse. Segundo ele, o fato de não poder dar um forte abraço na mãe não o deixou triste ontem.

Durante conversa com a reportagem, Batista fez questão de ressaltar o tempo todo a presença da mãe, no campo espiritual. Mas abriu um largo sorriso quando falou de sua condição de avô. Poder estar e brincar com os netos é, na opinião dele, uma das coisas mais gostosas da vida.

Se alguns encontram uma maneira de minimizar o sentimento de perda, outros no entanto, ainda não conseguiram superar o sofrimento.

“Esse dia (Dia das Mães) nunca deveria existir”, reclamou a vendedora Regina Novaes, 46 anos. “Para quem não tem mãe, essa data é muito triste”, opinou.

Ela perdeu a mãe há um ano e nove meses e ainda se diz inconformada com isso. â€œÉ algo que a gente nunca esquece”, lamentou.

Apesar do tempo, Regina revelou que muitas vezes entra em depressão e começa a chorar a falta da mãe.

Sem conseguir controlar as lágrimas, Elaine Novaes Marchesano, 38 anos, irmã de Regina, também permaneceu um bom tempo ao lado do túmulo da mãe.

Ela garantiu que ser mãe faz com que ela encare a perda de duas formas. “Ter meus filhos ajuda a amenizar a dor. Mas por outro lado, pode piorar.”

Elaine justifica sua opinião dizendo que só sendo mãe dá para sentir como é difícil criar os filhos. “Só assim dá para saber o quanto ela sofreu com a gente”, comparou ela, visivelmente emocionada.

Depois de visitar a mãe, Elaine e Regina foram com os filhos até o túmulo da avó, onde também prestaram uma homenagem.

Sofrimento parecido com o das irmãs é compartilhado pela aposentada Zélia Teixeira do Nascimento Garcia, 56 anos.

De acordo com ela, a perda da mãe é um momento muito triste na vida de qualquer pessoa. Segundo Zélia, mesmo tendo vivido esse momento há sete anos, ela ainda não conseguiu superar o trauma.

“Até hoje faço tratamento contra a depressão”, comentou. Desde pequena, Zélia sempre esteve ao lado da mãe. Segundo ela, ambas nunca se separaram.

Por esse motivo, a morte da mãe, na opinião dela, deixou uma ferida tão profunda. Diante disso, seus dois filhos acabam servindo como antídoto contra a dor. “Eles são a parte boa da vida. Não só da minha, mas de todas as mães”, afirmou, deixando-se tomar por um aspecto mais descontraído e alegre.

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