O “Trem de Socorroâ€, estratégia adotada há três anos pelo Corpo de Bombeiros de São Paulo com o objetivo de reduzir o tempo de atendimento e preservar a vida, será adotado em Bauru. As duas motos que vão entrar em operação para a realização da nova atividade dentro de aproximadamente 30 dias já foram recebidas pelo 12.º Grupamento de Incêndio, e os motociclistas/bombeiros já estão em treinamento.
O serviço de Moto Operacional de Bombeiro (MOB) foi implantado na Capital após análise das dificuldades enfrentadas pelos “homens do fogo†para chegar aos locais de acidentes, incêndios e salvamentos.
O grande número de veículos somado à malha viária insuficiente de São Paulo impediam o rápido acesso do socorro. O tempo de resposta, em torno de 12 minutos, estava distante dos cinco minutos tidos como o tempo ideal para o atendimento. Como conseqüência, muitas vidas deixavam de ser salvas.
A implantação do serviço de MOB nas metrópoles conseguiu reduzir pela metade o tempo de chegada da equipe principal de resgate ou de combate ao incêndio, tornando o atendimento mais eficaz.
O sucesso dos serviços garantiu sua expansão, segundo o comandante do 12.º Grupamento de Bombeiros de Bauru, major Dilson Pedro Saltoratto. De acordo com ele, não é um novo serviço prestado pelos bombeiros, mas um aperfeiçoamento daquele que vem sendo desenvolvido.
Saltoratto explica que o “Trem de Socorroâ€, envio de uma viatura após a outra, viabiliza o atendimento e o torna mais eficiente. “A moto proporciona acesso mais rápido. Cada uma delas é ocupada por uma dupla de bombeiros que, no local, faz as avaliações primária e secundária. Além disso, divulgam as vias mais acessíveis para a chegada do suporte avançado.â€
A avaliação inicial visa passar a real situação para o Centro de Atendimento dos Bombeiros (Cobom). “Atualmente, deslocamos uma viatura para o local sem saber a real situação, porque a informação chega para nós através de um leigo, uma pessoa que normalmente está apavorada com a situação.â€
Do local do incêndio, acidente ou salvamento, a equipe de MOB tem linha direta com o Cobom, segundo explica o major. “A equipe informa a situação real e, a partir disso, traçamos uma estratégia de atendimento. As proporções da ocorrência vão determinar quais as providências necessárias.â€
O MOB também é sinônimo de economia para os bombeiros. “Muitas vezes, deslocamos uma viatura de grande porte sem necessidade. Com o serviço de MOB, temos a situação como ela é, e só vamos deslocar o material e o número de homens necessários para aquele atendimentoâ€, descreve o major Saltoratto.
Kit e mochila
As motos - Honda NX 400 Falcon - escolhidas para o trabalho de MOB permitem que os equipamentos de primeiros socorros sejam transportados nela e, ainda, que tenham acoplada uma mochila com alguns produtos para ferimentos.
Tanto o kit quanto os produtos da mochila, segundo o major, serão utilizados para estabilizar a vítima. “Um acidentado pode ter traumas, hemorragias e entrar em estado de choque. Os integrantes do MOB terão condições de manter a consciência da vítima, evitando o estado de choque, tentar cessar a hemorragia e facilitar o socorro da equipe de suporte avançado, que é uma viatura da Unidade Resgate (UR).â€
Na Capital, a equipe de UR conta com um médico e um enfermeiro. “A equipe chega com oxigênio, médico, enfermeiro e condições para fazer cirurgias no local. Em Bauru, o índice de ocorrência não justifica a permanência de um médico. Isso não quer dizer que, no futuro, não poderemos ter a presença do profissional.â€
Contatos imediatos
O comando do 12.º Grupamento de Bombeiros pretende, nos próximos dias, se reunir com representantes da Secretaria da Saúde, diretoria do Pronto-Socorro Municipal e do Hospital de Base para, juntos, discutir um esquema de trabalho que agilize o atendimento da vítima e torne o resultado altamente eficaz.
Segundo o major Saltoratto, entre os bombeiros e o atendimento médico há um esquema montado. “O bombeiro se comunica com o Cobom informando a situação da vítima, e o centro de operações avisa o PSM ou o hospital sobre a situação do ferido para que as providências sejam tomadas antecipadamente.â€
Quando o caso requer uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no local, nada impede que esta seja acionada. “Nada impede que uma UTI seja chamada para o cenário da ocorrência. Nesses casos, os bombeiros entregam a vítima para o médico, que faz o atendimento no localâ€, descreve o major.
Em Bauru, há em atividade duas Unidades Resgates, segundo Saltoratto. “Nosso atendimento fica limitado a atender quatro vítimas, duas em cada viatura. Quando a ocorrência exige um número maior de atendimento, acionamos as ambulâncias do PSM. O controle de todo o cenário fica com o Cobom.â€
O comandante do grupamento acredita que, com a modernização do PSM central, o trabalho seja agilizado. “Estamos estudando um esquema que agilize o atendimento. Pretendemos diminuir o tempo de resposta e aumentar o número de preservação de vidas.â€
O major Dilson Pedro Saltoratto não arrisca dizer quando as MOBs entrarão em atividades em Bauru. “Estamos aguardando a conclusão do treinamento do pessoal. É um treinamento diferenciado.â€
No ano 2000 foi implantado o serviço de MOB no Posto de Bombeiros/Belém do 3.º Grupamento de Bombeiros, Zona Leste de São Paulo. Os resultados positivos garantiram a expansão dos serviços para o grande ABC e para as principais cidades do Estado. Em Ribeirão Preto e Campinas já existe o atendimento.