Ao fugir de discussões inúteis, muita gente usa a expressão: “Vocês que são brancos que se entendam.” É de se perguntar, então, se tal evasiva é de uso exclusivo de nossos irmãos pretos. Mas ninguém deve se aborrecer por isso, até porque não há respostas. Pelo menos justas, não.
Volta e meia alguém escala esta Tribuna para contestar o que nunca foi dito e nem pensado por alguém que trabalhe e preencha o seu tempo com coisas úteis ao ser humano. Como exemplo, nenhum negro pode posar de vítima porque o saci-pererê não é branco. Mas todo negro pode armar uma guerra, se possível fosse, por obra e arte de um branco transformar em um loirinho de longos cabelos dourados, essa figura simpaticíssima do nosso saci-pererê. Ou não?
Todos nós precisamos gerir melhor esse negócio de negros e brancos, quando quisermos publicar nossas opiniões, independentemente de sermos Diego ou Robinho, Bial ou Glória Maria, Buarque ou Pixinguinha. Porque é nesse joguinho interessante de risos e alegria que se chega ao chopinho preto ou chopinho branco. O negro não lembra só coisa triste e sombria. No lar, muitos pais brancos chamam, carinhosamente, o caçula de “meu negrinho”. Portanto, não pega bem esses protestos zombeteiros discursados por quem vive batendo no peito e ativando a prática da cidadania. É isso demagogia negra?
Deus propiciou as noites escuras como ébano, tanto para o selvagem como para o homem moderno, a fim de que sua excelsa obra fosse vista e Ele lembrado como o único Autor da Vida, e Criador de negros e brancos em todos os tempos. Por respeito a este raro espaço, paro por aqui. (Antonio Ribeiro Corrêa - RG 4.168.220)