Tribuna do Leitor

Prepotência


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Na minha casa tem uma Rothweiller. É jovem, mansa, bonita e tranqüila. Foi criada com amor e com amor intenso corresponde fielmente. Convive com outros cães, com pessoas também. É incapaz de agredir até um gato! Dizem, contudo, que esta raça é perigosa. Tascaram até uma lei mandando que ela use focinheira para sair na rua. Bom, lei é lei e tem que se cumprida, não é mesmo? Eu tenho uma amiga que tem meia dúzia de gatos. Ela mora em um condomínio, um dos maiores de Bauru. E o que fazem os gatos? São perigosos/ são criaturas do demo? Sei lá, não consigo entender, mas o fato é que entraram na Justiça pra tentar tirar os gatos da minha amiga. Pois é, pasmem!

O juiz, homem equilibrado, tascou uma sentença de acordo: os gatos ficam! Afinal, eles em nada atrapalham, mesmo porque são animais domésticos e podem perfeitamente conviver em harmonia com a natureza humana. Fazem parte da harmonia terrestre. Como não tinha mais o que fazer, e os gatos ficaram com minha amiga com o beneplácito da Justiça, outra decisão foi adotada: vamos matar os gatos! E assim foi feito: a cada dia, um gato estrebuchou durante horas, sofrendo horrores, vítima de envenenamento. Morreram todos em suplício absurdo, pagando o preço de terem sido vítimas da prepotência de um ser humano que não os quis ali.

E eu pergunto quem é mais perigoso: minha cachorra Rothweiller que se dá bem com os gatos ou o “ser humano” que mandou assassinar os indefesos gatinhos da minha amiga Malu? Quem será que deveria estar usando a focinheira (ou algemas)? O que será que via na alma de uma pessoa que toma uma decisão tão desumana? Afinal, o que será que os gatos estavam fazendo de tão ruim para a população daquele lugar tão bonito? Cada vez tenho mais certeza de que não troco minha cadela por ninguém! (Jacqueline Didier)

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