Médicos de Bauru têm notado um aumento no número de casos de toxoplasmose na cidade. Os especialistas contatados pelo JC atenderam mais de 40 pacientes com sintomas da doença neste ano, número considerado elevado. A toxoplasmose é uma doença infecciosa, não contagiosa, transmitida por um protozoário próprio dos felinos, através do contato com fezes.
Como a doença não é de notificação obrigatória aos órgãos de saúde, o Departamento de Saúde Coletiva (DSC), órgão da Secretaria Municipal de Saúde, ainda não tem dados para apontar se trata-se ou não de um surto. “Estamos entrando em contato com os infectologistas da cidade e fazendo um mapeamento”, afirma a diretora do DSC, Maria Helena Abreu.
A infectologista Maristela Pastore atendeu, desde fevereiro deste ano, 34 pacientes com a doença em seu consultório e mais três numa unidade de saúde, quando o comum era o diagnóstico de três ou quatro casos por ano. Ela conta que não encontrou nenhum ponto em comum entre eles, como viagens ou proximidade das residências. “Alguns deles até têm gatos em casa, mas a grande maioria não. Eles também não utilizam água de poço, e tomam cuidado com a alimentação”, diz a médica.
No consultório do infectologista José Fernando Casquel Monti, o aumento do número de casos da doença neste ano foi nítido. “Os pacientes que procuraram o consultório devem ter contraído a doença no final do ano passado ou começo desse ano. A hipótese mais provável para a contaminação é o consumo de carne com o cisto da doença”, afirma.
Segundo Maristela, muitas pessoas têm toxoplasmose no decorrer da vida, identificada por um mal-estar de poucos dias. “Muita gente passa um pouco mal durante um fim de semana e pode ser toxoplasmose. Mas o que chama a atenção é que nos casos que têm aparecido, os pacientes dizem que tiveram febre e um mal-estar muito pronunciado, por vários dias”, explica a médica.
Dos pacientes atendidos pela infectologista, nenhum manifestou sintomas muito graves da doença.