A toxoplasmose, ou “doença do gato”, como também é conhecida, é causada por um protozoário próprio dos felinos, o toxoplasma. É transmitida ao ser humano através do contato com fezes de gatos contaminados, principalmente, mas também por cães e aves, ingestão de carne crua ou malpassada, principalmente de porco e carneiro, e por transmissão da gestante para o bebê. Não é uma doença contagiosa.
A água e os alimentos podem ser contaminados com as fezes dos animais. “Se uma mosca ou uma barata pousou nas fezes, e depois passou por um alimento exposto, ele fica contaminado”, explica Maria Helena Abreu, diretora do Departamento de Saúde Coletiva (DSC).
O DSC recomenda que a população não beba água de poço, ou utilize-a para cozinhar. A água fornecida pelo Departamento de Água e Esgoto (DAE) é 99,9% assegurada contra toxoplasmose. Também é recomendável não comer carne crua ou malpassada, e lavar bem os alimentos.
O veterinário do DSC, José Rodrigues Gonçalves Neto, aconselha quem tem gatos em casa a manter um local apropriado para o animal defecar, como uma caixinha de areia. Esta deve ser limpa, e as fezes, jogadas no lixo. Também pode-se higienizar a residência e o quintal com água sanitária diluída em água.
“Algumas pessoas têm o costume de dormir com os animais, deixá-los na cama, no sofá. Isso não é recomendável. E depois de brincar, de pegar no colo, deve-se lavar bem as mãos”, orienta o veterinário.
Os sintomas da toxoplasmose aparecem de cinco a 30 dias após a contaminação, e os principais são febre, mal-estar e dores no corpo, aparecimento de gânglios (caroços), principalmente no pescoço, e manchas avermelhadas na pele.
A doença pode causar também problemas de pulmão, fígado, coração e cérebro. Quando ataca os olhos, a pessoa nota vermelhidão e uma certa turvação da visão, e se não for tratada, pode causar cegueira.
Se uma gestante manifesta a doença, pode passar para o bebê através da placenta, podendo causar inflamações, pneumonia ou até ser fatal. Por isso, a importância do acompanhamento pré-natal. Pacientes com outras doenças, como HIV ou câncer, devido à saúde já um pouco debilitada, devem ter um tratamento mais intenso.
Ao notar qualquer sintoma, deve-se procurar um médico. O tratamento da toxoplasmose é feito com antitérmicos, antiinflamatórios e antibióticos, porém os médicos alertam que ninguém deve se automedicar. Somente os casos mais graves precisam de internação.
O oftalmologista Marcelo Crivelari explica que o paciente, mesmo ficando curado de uma infecção, pode voltar a ter a doença no futuro, pois o toxoplasma permanece incubado.