• Inflação em queda
Um cenário bastante positivo se desenha na economia brasileira. Com a queda da inflação - a primeira boa notícia -, analistas de mercado e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) já falam na grande possibilidade de queda na taxa Selic (a taxa básica de juros da economia), que atualmente está em 26,5% ao ano. O mercado antecipou suas apostas de corte da taxa já para a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que será na próxima semana.
• Recuo
A expectativa de queda da Selic cresceu à medida em que os principais índices de preços, divulgados entre segunda-feira e ontem, demonstraram o recuo da inflação. No início deste mês, a inflação ao consumidor recuou em São Paulo. Segundo a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), na primeira quadrissemana de maio o índice caiu para 0,40%. Em abril a inflação ficou em 0,57%. O grupo do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) que registrou a maior alta no período foi o de vestuário, já que os preços subiram em média 0,95%.
• Cortes
Já o item alimentos - que pressionou fortemente o índice nos últimos meses - teve uma alta de apenas 0,49%, contra um avanço de 0,75% registrado em abril. Diante do novo cenário, as apostas do mercado são de um corte de meio até um ponto percentual na próxima reunião do Copom. Existe, até mesmo, a expectativa de que nas próximas reuniões, os cortes continuem. A única questão que ainda preocupa alguns analistas é o chamado núcleo da, que permite apenas um corte de meio ponto percentual.
• Sabedoria
Para Horácio Lafer Piva, presidente da Fiesp, o governo saberá avaliar com sabedoria os bons indicadores da economia brasileira, como a menor pressão inflacionária e a queda do risco-país. Mas também saberá avaliar os maus indicadores - como o desempenho industrial do País - para chegar à melhor e mais sensata decisão. Contudo, Piva não quis arriscar para quanto a taxa Selic poderá ser reduzida. O ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, também não arriscou palpites.
• Desenvolvimento
Contudo, o ministro disse que seu discurso seria o mesmo de Horácio Lafer Piva. Tudo leva a crer que ele não quis se manifestar por questões diplomáticas. Segundo Furlan, sua função como membro de uma equipe de governo não é gerenciar a taxa de juro, mais sim se esforçar para promover o desenvolvimento e o comércio exterior. Não deixam de ser sábias palavras, já que o País precisa muito de investimentos internos para fortalecer ainda mais sua economia, além de ganhar novos mercados no Exterior.
• No bolso
Outra boa notícia, esta informada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de que a queda do dólar já começa a chegar ao bolso do consumidor. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que atingiu 0,97% no mês passado, mostra que determinados preços de derivados de commodities (produtos com cotação no mercado internacional) já apresentam deflação. A farinha de trigo é um deles, registrando queda de 0,98% em seu preço.
• Deflação
O óleo de soja - que foi considerado um dos grandes vilões na época de dólar muito alto - apresentou deflação de 1,86%. Além dessa realidade, outros produtos também sensíveis ao câmbio tiveram queda de preço. Os artigos de limpeza, que tem a maioria de seus componentes trazidos do Exterior, diminuíram seu ritmo de alta de preços e passaram de 3,80% para 2,71% entre março e abril. Para analistas do IBGE, isso é uma mostra clara de que os produtos não-alimentícios estão sofrendo uma influência menor da moeda norte-americana.
• Alívio
Técnicos do IBGE também afirmam que até o final deste mês a população também perceberá um alívio no orçamento em função da queda dos preços da gasolina - já que a Petrobras baixou o preço da gasolina em 6,5% em 30 de abril em suas refinarias. Em Bauru, no momento os usuários de veículos estão vivenciando uma situação bastante instável no setor de combustíveis. Ao mesmo tempo em que há postos vendendo o litro da gasolina comum por mais de R$ 2,00, outros vendem por R$ 1,799.