Economia & Negócios

Economia & Negócios

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

• Café

O café brasileiro está em alta no Exterior. As exportações do produto registraram aumento de 18% em volume no primeiro quadrimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2002, quando foram exportados 8,6 milhões de sacas de 60 quilos, segundo informações do Conselho de Exportadores de Café Verde do Brasil (Cecafé). No ano passado o Brasil teve uma safra recorde em torno de 45 milhões de sacas - a maior colheita em 270 anos de cafeicultura no País.

• Em alta

Os ingressos pela exportação cresceram 36%, alcançando US$ 484,7 milhões, contra US$ 356 milhões no período de janeiro a abril de 2002. Em abril foram exportadas 2 milhões de sacas (2,9% a mais que em 2002). Já nos últimos 12 meses (de maio de 2002 a abril de 2003), o Brasil exportou 29,3 milhões de sacas de café, que representam US$ 1,485 bilhão. Tratam-se de números bastante positivos para o País, já que existe um excesso de 20 milhões de sacas do produto no mercado mundial.

• Preços em queda

As afirmações feitas pelo presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Sussumu Honda - quando esteve em Bauru na última terça-feira - sobre quedas mais amplas de preços ao consumidor vislumbradas pelo setor já podem começar a ser sentidas. Desde o início deste mês, os preços de alimentos estão desabando em São Paulo. Nos últimos 30 dias a queda foi de 5,62%, segundo pesquisa feita pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA), órgão da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios.

• Consumidor

A pesquisa mostra que os preços vão continuar caindo nas próximas semanas, fechando o mês com redução entre 3% e 3,5%. A forte queda nos preços agrícolas pagos aos produtores vai aliviar ainda mais a taxa de inflação, que já está com tendência de queda. Para os pesquisadores do IEA, chegou a vez dos consumidores. E a boa notícia vale para os dois lados, já que o alívio para o consumidor não significará perda para os produtores, que acumularam renda nos últimos meses.

• Carnes

De acordo com a pesquisa do IEA, o tomate - grande vilão da inflação no mês passado - será o principal fator de alívio neste mês. Nas contas do instituto, o produto teve queda de 61% nos últimos 30 dias. As carnes também estão na mira das quedas de valor. É que o boi gordo está no auge da safra e deve empurrar para baixo os preços das carnes suína e de frango. Açúcar e álcool também não terão mais espaço para altas. Os preços devem ficar estabilizados e até cair com a entrada da safra.

• Agricultura

Além de estar colaborando para a redução nos índices inflacionários do Brasil, a queda do dólar começa também a refletir nos preços agrícolas. O preço da laranja está caindo 18% no mercado interno. O milho também já foi atingido pelo câmbio. Com a desvalorização da moeda norte-americana, os preços de referência de exportação caíram e forçaram a queda interna, que chegou a 12% nos últimos 30 dais. Já o preço do trigo recuou 7%, porque as exportações ficaram menos onerosas para as indústrias.

• Vilões

A pesquisa do Instituto de Economia Agrícola também inclui na lista dos produtos que manterão tendência de queda a cebola, a batata e a banana, já que a oferta desses produtos aumentou. Somente dois produtos - e que são típicos na alimentação do brasileiro - estão contrariando a tendência de queda dos itens agrícolas e serão os vilões do mês de maio: o arroz e o feijão. Apesar de estar em plena safra, o arroz acumula alta de 22% nos preços pagos aos produtores.

• Intervenção

Para os pesquisadores do IEA, a tendência de alta do arroz só será interrompida se o governo intervir. Cientes de que as importações ficam caras e os estoques governamentais estão zerados, os produtores estão retendo o produto. Já o feijão está com preços estáveis, mas com valores 125% acima dos registrados no mesmo período do ano passado em função de sua reduzida oferta no mercado.

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