Polícia

Projeto quer agressão a idoso notificada

Da Redação
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O vereador Pastor Luiz (PL) apresentou esta semana dois projetos de lei voltados à terceira idade. O primeiro propõe que todas as unidades de saúde de Bauru, públicas ou privadas, notifiquem a Secretaria Municipal de Saúde quando forem atendidos casos de violência praticada contra pessoas idosas.

O segundo projeto trata da Política Municipal do Idoso, com ênfase em diversas atividades sociais, econômicas, culturais, de entretenimento e de auxílio à terceira idade.

Ambos estão em trâmite na Câmara Municipal, e foram publicados na edição de ontem no Diário Oficial do município. Atualmente, a cidade tem cerca de 34.500 moradores com mais de 60 anos.

O objetivo do projeto de notificação obrigatória de agressões, segundo o vereador, é criar ações relacionadas aos idosos, procurando reduzir a violência com campanhas de conscientização e outras atividades. “Tais informações serão de grande utilidade, bem como permitirão às autoridades policiais e judiciárias dar melhor conteúdo ao corpo comprobatório em que se verifique a violência de qualquer natureza contra a idoso”, explica Pastor Luiz na argumentação do projeto. Suspeitas de agressões e violência atendidas em hospitais e postos de saúde já são, obrigatoriamente, notificadas à Polícia Civil.

Para encorajar os médicos e outros agentes de saúde, o projeto prevê que as notificações seriam anônimas, através de um formulário elaborado pela Secretaria de Saúde, e distribuído às unidades de saúde.

Qualidade de vida

“Se o idoso teve uma vida ativa, com bom relacionamento com os filhos, amigos, vizinhos, ele vai encarar a terceira idade com mais naturalidade. E a família também vai ser mais próxima, com menos chance de ter um problema de violência”, acredita Marli Tizianel, que é assistente social do Programa Municipal de Atenção ao Idoso (Promai).

O Promai, criado pela Secretaria Municipal de Saúde, oferece atendimento médico, psicológico e social, acompanhamento de nutricionistas e fisioterapeutas, e grupos de ginástica, dança, relaxamento, artesanato e outras atividades para o pessoal da terceira idade.

De acordo com a assistente social, eles se sentem à vontade para conversar com os psicólogos e assistentes sociais. “Acabamos conhecendo bem a realidade deles, os problemas. Algumas vezes, são eles que têm de sustentar a casa porque os filhos estão desempregados, com dificuldades também.”

São muitas as vítimas de agressões, não só físicas, mas também verbais e de maus-tratos, que chegam até o Promai. “Elas têm medo de comentar com um vizinho, ou de pedir ajuda, porque às vezes a violência vem dos filhos, dos netos. Nós incentivamos muito a participação nas atividades, nos grupos, para eles terem um tempo para si, para aceitarem sua idade e aumentarem sua auto-estima. Todo mundo precisa se gostar muito”, diz Marli.

Na sede do Serviço Social da Indústria (Sesi), também há atividades para a terceira idade, como teatro, canto, dança, palestras educativas, ginástica e viagens para os idosos que participam dos encontros.

“Vindo aqui no Sesi, a gente também melhora nosso relacionamento em casa, com a família. Eles sempre apóiam para gente participar de tudo”, conta Terezinha Piva, 63 anos.

Ana Carvalho, 83 anos, pensa que as atividades funcionam como uma terapia. “Participar ajuda a enfrentar as dificuldades, e a gente fica mais alegre”, diz.

Teresa Cristina Mastrangelli é uma das coordenadoras do grupo da terceira idade, e mostra a importância do idoso ter lazer e atividades fora de casa. “Muitos vêm ao Sesi por indicação médica, e voltam a ter uma vida social. Quando voltam para casa, vão com outra cabeça, mais felizes. É um resgate da qualidade de vida, uma nova grande família na vida deles”.

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