Há pouco mais de três anos vim morar em Bauru. E durante todo esse tempo venho reparando nas condições das ruas por onde andamos: como são sujas!
Na avenida Nações Unidas, cartão de visita (!) da cidade, as pessoas saem do drive das lanchonetes, estacionam seus carros e fazem a refeição no carro mesmo. Quando terminam, é só abrir a porta e deixar os restos lá, na sarjeta, ou então fazer uma pequena força e arremessar a alguns metros, no canteiro central. Nos canteiros, os arbustos floridos competem não só com bitucas e papel de bala, mas com copos de plástico, sacos de salgadinho e até garrafas pet. A prefeitura devia deixar de investir no verde e partir para as latas de lixo nas ruas, porque não há nenhuma, principalmente no Parque Vitória Régia. Quem sabe assim o povo se toca. No Vitória Régia, os peixes podem brincar com o lixo jogado na água, e quem quiser descansar em baixo de uma sombra tem que pedir licença aos papéis, copos e caixas de esfiha. Dá até pena.
Eu que venho de São Paulo posso dizer: se for comparar a sujeira das ruas, Bauru apavora. Nas calçadas, além do lixo tem sujeira de cachorro. Enquanto isso, todo mundo reclama dos buracos, da falta de saneamento, etc. Reclamar é mesmo muito fácil, eu também adoro reclamar do que está errado, mas pelo menos jogo meu lixo no lixo. Quem quer ter o direito de reclamar tem que colaborar com o mínimo. E o mínimo que faço é jogar o lixo em casa ou num boteco qualquer, já que não encontro nenhuma lata nas ruas.
Mas o problema aqui em Bauru é mais grave do que a falta de lixeiras nas ruas: é o povo. Isso porque se as pessoas tivessem o mínimo de respeito pela cidade e pela coletividade, se viravam com a ausência de latas de lixo, assim como eu me viro. Até cobradores de ônibus arremessam bolas de papel pela janela, apesar das lixeiras dentro dos coletivos. E o que mais ouço aqui quando digo que vim de São Paulo é que bom mesmo é viver no interior, que São Paulo é uma loucura, violenta e suja. E Bauru? É uma lata de lixo. (Beatriz Le Senechal - RG 28.305.122-X)