Cultura

Ainda, as mães...

Por Ercília Arruda Pollice | Especial para o JC
| Tempo de leitura: 2 min

Mães, esses seres extra-terrenos... frágeis na aparência, choram lágrimas de alegrias, e choram por tristezas, nem sempre entendidas... fortes nas decisões e viram feras quando pressentem que suas crias estão em perigo.

São capazes de abrir mão de sonhos e desejos se perceberem que isso vai magoar os seus filhotes, sim, digo filhotes, porque para as mães os filhos sempre são crianças.

Mãe é coisa complicada e muitas vezes não é nada sublime cumprir esse papel; entre os muitos que uma mulher tem que cumprir na vida. Um papel que seja bom ou mau, tem um detalhe: é pra sempre! Já disse alguém, ironicamente, não sei, ou por brincadeira, que ser mãe é bom, mas dura muito!

Passa sua juventude a cuidar de uma família. Faz seus pequenos dormir, conta-lhes histórias, ensina-lhes regras de comportamento, cursa a escola com eles, ensinando-lhes as tarefas, fica perita em análise sintática, matemática, história, geografia, recorda tudo o que um dia aprendeu, e aprende o que não conseguiu aprender... só pra ensinar-lhes. Assopra seus dodóis, enxuga-lhes as lágrimas com beijos...

Mais tarde sonha de novo ao ensinar-lhes dançar, ao comprar com eles a roupa da primeira festa, ao escolher junto o presente do primeiro amor... Realiza-se e enche-se de orgulho quando ingressam na universidade, e ao vê-los no dia da formatura seus olhos enchem-se de lágrimas de alegria.

Quando se casam, vibra como se fosse seu próprio casamento... Ah! coisa mais rica de acontecimentos a vida de uma mãe.

Ao lado disso tudo, não pode, ainda, esquecer-se de continuar sendo mulher, porque senão... meu Deus, perde o marido... Você está rindo? Pois não ria, há de ser equilibrista e grande artista pra representar bem esse papel!

Daí, de repente, percebe que eles se foram, estão vivendo suas vidas, e sua razão sabe que isto é bom e certo. Dá graças a Deus... Aliás, não se cansa de orar por eles!

Mas venha explicar isso pro seu coração... que sente sua falta, suas risadas a encher a casa, sente a falta de companhia em volta à mesa, sente falta do beijo melado, das mãozinhas sujas a procurar as suas...

Sente falta deles! Mas se alegra com os telefonemas, com o ouvir de suas vozes e intuir pelo tom que tudo vai bem. Mãe, como você consegue ser tantas numa só, e de si mesma não se perder jamais? Parabéns, mãe! Você é demais! (Escritora, poeta e colaboradora do Ju Machado - Escritório de Arte)

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