É comum entre os proprietários de automóveis conhecer os prazos para efetuar a manutenção de diversos itens, como troca do óleo, pastilhas de freio, velas de ignição e dos pneus. Entretanto, o que poucos motoristas atentam é que o uso desses componentes em condições severas ou em péssimo estado de conservação pode abreviar a vida útil estimada por seus fabricantes.
O mesmo ocorre com os procedimentos de alinhamento e balanceamento, obrigatórios de serem executados, normalmente, a cada 10 mil quilômetros rodados com o veículo. Entretanto, essa periodicidade tem de ser reduzida, e muito, quando o estado das vias em que o carro mais anda não for aquele exemplo de conservação.
Em Bauru, onde as ruas e avenidas estão longe de ser um “tapete” e os buracos pululam por todos os lados, a situação é ainda mais crítica. A prova disso está no estabelecimentos automotivos especializados na realização de alinhamentos e balanceamentos.
Em um deles, o gerente Wilson Eduardo Navarro enfatiza que as “panelas” e “crateras” tão comuns nas vias locais forçam os donos de carros a diminuir a freqüência do alinhamento e balanceamento. “O normal seria efetuá-los a cada 10 mil quilômetros, mas temos executado em intervalos menores e recomendado aos clientes retornarem após 8 mil quilômetros”, frisa ele.
Além disso, acrescenta Wilson, os buracos também são responsáveis por outros tipos de prejuízos aos motoristas. Ele revela que cerca de 20% dos atendimentos na loja ocorrem em veículos avariados pelos buracos. “De cada dez automóveis dois apresentam problemas, como pneus cortados, rodas amassadas e suspensão danificada”, destaca ele.
Já o instrutor automotivo Reinaldo de Souza Genovez, da unidade bauruense do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), ressalta não haver quilometragens específicas para se efetuar o alinhamento e o balanceamento. “O correto é verificá-los periodicamente, principalmente após ter passado por buracos”, ensina ele.
Genovez explica que, ao cair em uma depressão no asfalto, a roda corre grande risco de perder, de uma só vez, o balanceamento e o alinhamento. No caso do primeiro, conforme o instrutor, porque haverá deslocamento de uma massa de ar interna que pode danificar o pneu.
Já em relação ao segundo, a pancada pode estragar algum componente da suspensão e alterar a chamada geometria de direção, ou seja, a combinação dos ângulos do alinhamento que têm de ser respeitados. “Para isso, basta uma roda estar fora dos padrões para comprometer todo o restante do sistema”, adverte Reinaldo.
É por essa razão, acrescenta o instrutor, que o alinhamento tem de ser executado simultaneamente nas quatro rodas. “Alinhar apenas duas, hábito muito comum atualmente, não adianta nada”, afirma ele.
Além disso, o início da operação precisa respeitar uma “hierarquia” entre as rodas. “O correto é sempre começar pelas traseiras, que são as fixas. Dessa forma, ao partir para as dianteiras, o alinhador já terá os parâmetros para seguir e corrigir as móveis”, diz Reinaldo.
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Dicas
Mas como descobrir se o veículo está precisando alinhar ou balancear as rodas? O instrutor do Senai, Reinaldo Genovez, afirma que problemas no alinhamento são mais difíceis de ser percebidos, mas não impossíveis.
A dica para chegar a um “veredito” é levar o veículo até uma via plana e, exatamente no meio dela, rodar normalmente. “Se o carro tender para a esquerda ou direita, é sinal que está na hora de alinhar”, ensina Reinaldo. “Outra pista é olhar na banda de rodagem do pneu a fim de notar se este apresenta desgaste anormal em um dos lados”, complementa ele.
Já o balanceamento está diretamente ligado à velocidade. Quando maior ela for, maior será a trepidação ao volante, este o maior indício da necessidade de balancear as rodas. “Uma boa faixa horária para verificar é a dos 100 km/h”, indica o instrutor.
Ele alerta, ainda, que a ausência de alinhamento é a responsável por 80% dos casos de desgaste excessivo de pneus, mas nem sempre é a causa principal. A falta ou o excesso de calibragem também pode ocasionar problemas sérios nos compostos. “Pneu muito murcho gera consumo irregular nos dois lados, enquanto pneu muito cheio afeta o centro”, adverte Reinaldo.
O instrutor considera que a correta calibragem constitui-se em um dos principais segredos para garantir a plena vida útil dos pneus. “Por isso, efetue-a sempre com eles frios e tendo rodado, no máximo, até cinco quilômetros. Calibrá-los após rodar muito não é recomendável, uma vez que sua pressão interna estará mais alta e provocará distorções na medida das libras”, frisa ele.